Notas de leitura da obra “Louco Fabuloso e Insubmisso” de Benjamim Pedro João

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Por: Miguel Ouana 

“Louco, fabuloso e insubmisso” é ordem adjectival que o autor decidiu dar a este livro. Porém, eu preferia intitulá-lo “Fabuloso, louco e insubmisso”. A razão desta minha preferência se prende com o facto de que a personagem principal (Nino) do enredo entrar neste como um estudante de um instituto de formação de técnicos médios agrários, numa pacata cidade (Mandiquissi), para onde estudar ido de sua terra natal (Nakupela). Terminado o curso, abraça o Jornalismo. Entretanto, ao longo da sua formação foi denotando a veia de um excelente poeta. Portanto, por esta e a anterior razão, o considero fabuloso. 

A loucura de Nino deve ter começado com desilusão do seu primeiro namoro, que terminou de forma abrupta, com interferência de um outro rapaz. Veja-se como caracterizava a sua primeira namorada: “Iza, és o sol que me toca, és a vida que me faz respirar…”

Depois desse desaire, como se achasse D. Juan, foi tendo outros dissabores, pois, diferentemente da abelha, que de sua livre vontade, salta de flor em flor debicando o pólen, ao Nino o pólen lhe fugia. Entretanto, o que o tornou louco de verdade, foi a visita da mãe ao seu local de trabalho, saindo do auspício onde estava internada por total demência. Se foi pelo facto de os colegas terem visto a mãe dele no estado em que estava ou se foi por uma questão genética que Nino enlouqueceu, não se tem a certeza. O certo é que Nino acabou louco. 

A insubmissão revela-se no auge da sua demência, quando foi habitar uma casa em ruínas, a qual, uma vez adquirida por um empresário, para reabilitá-la, Nino se recusava a abandonar aqueles escombros, considerando-os sua residência. Resistiu até onde pôde, dado o seu estado de saúde, muito debilitada, até que a morte o levou.

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