Os “Percursos” de Dito Tembe, P. Mourana e Carlos Fornasini

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Era para ter sido baptizada como “Espaço e Tempo”, mas “Percursos” foi o nome que fincou. Ambas designações congregam a ideia que Dito Tembe, P. Mourana e Carlos Fornasine, todos nativos da década de 60, pretendiam pincelar em telas.

Entretanto, o trio decidiu reprovar a primeira escolha, após sucessivas análises e discussões acesas. Motivos? Era extenso e ambíguo. Solução? Buscar por um outro termo que lhe fosse equivalente, mas com menos equívocos.

Pautou-se, então, pela compressão do conceito. De “Espaço e Tempo”, o nome foi reduzido para “Percursos”. Portanto, além de testemunhar sentimentos e ideias de artistas experientes, a exposição “Percursos” é resultado de uma viagem pela imensidão da língua e saberes artísticos partilhados ao longo de décadas de estrada.

Ainda assim, a escolha foi, igualmente, escrutinada. Mas, desta vez, de forma menos efusiva, pois eram, mesmo, os “Percursos” que os artistas tencionavam pincelar e expor, através de telas.

A mostra já está aberta ao público e pode ser vista na Galeria da Fundação Fernando Leite, em Maputo.

“Percursos” é sobre lugares, pessoas e momentos, mas também vivências, andanças e paixões, sentidas e vividas de forma individual e colectiva.

O trabalho cruza diversas técnicas, cores e temáticas, numa tentativa, por parte dos artistas, de justificar seus “Percursos” pelas artes, que já duram há mais de 20 anos. Dito Tembe é o mentor da iniciativa.

De acordo com o artista, a exposição descreve a caminhada de cada um dos artistas nela presentes.

“É para justificar o tempo que já passou. No meu caso, são 43 anos de carreira. Os outros estão quase lá, por isso achamos que percursos ficaria muito bem, para justificar o que temos vindo a fazer durante este tempo”.

Na mostra, Dito Tembe trabalhou aspectos subtis, mas que foram marcando a sua trajectória artística. Além de pintar questões do dia-a-dia das cidades, zonas rurais e suburbanas, que é sua marca, nos mais de 40 anos de carreira, o artista aborda a maneira como o conflito Rússia-Ucrânia tem sido tratado nas lides nacionais.

“Parecendo que não, aquele é um problema que afecta a todos. Afecta a todo o mundo, mas alguns pensam que aquilo é com eles”.

Por sua vez, Carlos Fornasine mostra marcas de mais de 20 anos de percurso pelas tintas e telas. Ficcioniza a realidade, criando personagens reais e imaginárias, que interagem, entre si, contando histórias, ao mesmo tempo em que advogam pela preservação do meio-ambiente.

“Pintar uma obra, para mim, é como fazer um caminho. Quando acabo a obra, sinto que já consigo ver. Que já sei onde cheguei, tenho a imagem e posso completar”, explica, a completar que “a arte tem que ser verdade. É uma coisa que tem que vir de dentro.

Durante o percurso [de produção] vou fazendo na ideia de perceber qual é o caminho que estou a percorrer”.A música, o amor e a cultura são algumas das temáticas representadas nos “Percursos” de P. Mourana. O artista fez dos acontecimentos que marcam o do dia-a-dia das relações interpessoais seus princiapais objectos.

“Tive um mês e meio para produzir. Foi apertado, mas consegui aparecer, aqui, com obras inéditas. Mostro aquilo que nos incomoda, tentando cultivar, sempre, o amor. A minha mensagem, no fim, é o amor”, revela.Refira-se que “Percursos” é a última exposição patente na Fundação Leite Couto para o presente ano e vai encerar no dia 15 de Dezembro do presente ano.

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