António Marcos: quando a idade são números

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Aos 71 anos, António Marcos pertence ao naipe de intérpretes que fazem valer o adágio popular que diz que “quem sabe, sabe”. A energia jovial e o encanto com que sobe ao palco fazem do músico natural de Chiconela, província de Gaza, um artista igual a si próprio.

Fez da Marrabenta a sua marca, nos mais de 50 anos de estrada. Apresentou-se ontem a noite na Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo, diante de um público composto, na sua maioria, por pessoas que não eram nascidas, ainda, quando lançou o seu primeiro disco, em 1970.

A boina preta, a cobrir o cabelo grisalho , as luvas brancas, e os sapatos de um preto reluzente, o músico subiu ao palco com ares de general.

O andar autoritário mostrava que o músico esteve sempre à vontade, no espectáculo desenhado com o propósito de apresentar os seus maiores sucessos de uma vez.

Sem dizer uma palavra sequer, pegou no microfone e foi direto ao assunto. Cantou com banda, como de costume. Abriu a noite com “Wamangava”, através de qual critica o abandono e outros vícios que marcam a vida a dois. Interpretou com ímpeto, a ensaiar coreografias que desafiam as limitações impostas pela idade. No fim, soltou um Khanimambo caloroso, acompanhado de vénia.

Seguiu-se “Xikwata”, para provar que a voz de António Marcos ainda tem a mesma imponência e a relação do artista com o palco ainda é forte. Quando sobe à ribalta, o músico não esconde o sorriso. É como se António Marcos fosse uma criança num parque cheio de doces, enquanto, na verdade, é uma autêntica prova de amor pelo ofício.

Levou o público ao delírio, a arrancar as pessoas dos assentos com a voz penetrante e o ritmo da Marrabenta, acompanhado por movimentos vigorosos.  Ao fim da terceira faixa, “Ma Aldeia”, já escorriam torrentes de suor sobre o rosto e a temperatura, em palco, não parava de subir. Os presentes não só tiraram o chapéu, mas também as camisolas, perante tanta pujança

Também rebuscou “Garakunha”. Com a energia em alta e sempre irrequieto em palco, António Marcos seguiu fazendo o que mais gosta.  Cantou “Mussakaze”, “Malhanguene” e “Percina”, antes de realizar a primeira pausa para interagir com o público.

Retomou com “Nitafa Hikulunga”,. Cantou, ainda, “Mbinheto” e “Huyopfumela”, músicas que refletem o o lado obscuro e tristonho das relações conjugais. Fechou a noite com o clássico “Maengane”, que lhe rendeu a alcunha de Antoninho Maengane. António Marcos é um músico de poucas palavras e muita acção.  Deixou tudo em palco e desceu com o mesmo passejar de imperador com que chegou.

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