Maputo Street Art eterniza memórias na “Unidade 7”

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Foto: Ildefonso Colaço

As cores têm poder, estão a transformar as emoções da “Unidade 7”, ficou impossível andar por este bairro da cidade capital sem fixar os olhos nos cerca de 30 murais pintados pelo Maputo Street Art.

Denominada “(Re)criando Narrativas e Fantasias Urbanas”, a colecção sai sob curadoria de Titos Pelembe e em parceria com o Centro Cultural Moçambicano-Alemão (CCMA). O colectivo de artistas, unidos pela arte de rua, mais que pintar simples paredes, usou as artes visuais para estampar sentimentos, eternizar memórias, motivar e homenagear personagens do bairro.

“A maioria dos murais contam histórias, são sobre narrativas e fantasias urbanas. Nas paredes estampamos os jogos tradicionais, por exemplo, que vão desaparecendo agora por conta dos celulares”, explica Afroivan, fundador do movimento, a destacar que a colecção também conta histórias do mesmo bairro.

Não é a primeira fez que fazem isso, o seu percurso é marcado por inúmeras ilustrações de cunho social, que deram brilho, vida e um novo ar aos bairros históricos da Mafalala, Chamanculo, Maxaquene, Mavalane.

Os murais foram inaugurados, recentemente, numa visita guiada que marcou, igualmente, o último dia das Semanas da Língua e Cultura Alemã- Programa do CCMA. O primeiro passeio pelas obras, que decorreu no último sábado, aconteceu num ambiente intimista, marcado por uma interação activa entre membros do movimento e os presentes (moradores do bairro, artistas e apreciadores das artes). Os visitantes olhavam os murais com atenção, reflectiam e atribuíam significados ao que os seus olhos viam.

Os integrantes do “Maputo Street Art”, movimento de arte de rua, mostravam perícia, pois não era a sua primeira visita guia.

“Está é a nossa segunda visita guiada e surge de uma parceria com o CCMA, Embaixada da Alemanha e Suíça. A nossa primeira decorreu com o apoio da Embaixada da Espanha para o Festival Gala-Gala”, explicou Afroivan.

Uma produção com várias mãos

Foto: Ildefonso Colaço

Maputo Street Art, também organiza oficinas de pintura nos bairros em que pinta, com crianças até aos mais crescidos com objectivo de cultivar nas pessoas o gosto pela arte.

A colecção de murais “(Re)criando Narrativas e Fantasias Urbanas”, não só contou com a participação de jovens residentes no mesmo bairro, como Elton, que se juntou para aprender a pintar.

Artistas plásticos como Minoria, Amino, Manavetane, Titos Pelembe, Manuel Muvie, Sheila e Álvaro Uamusse colaboraram na pintura da colecção dos murais. Liodêngua não ficou de fora, depois de 10 anos distante das paredes, encontra no movimento a oportunidade de (re)pintar um mural.

“É uma experiência inédita porque não fazia parte dos meus obejctivos, constitui um novo desafio, para entender as novas sinergias artísticas que estão a acontecer a nível do país e me enquadrar enquanto artista”, conta Liodêngua, artista plástico, que se concentra em desenhos em telas e interpretação de sombras.

Na sua experiência, depois de muitos anos, o artista levou a interpretação de sombras para às paredes. Com o apoio dos artistas de movimento Maputo Street Art, através das tintas, ilustrou e homenageou o veterano da marrabenta Alberto Mhula, que perdeu a vida em 2013, aos 76 anos de idade. O músico é autor da célebre frase “a marrabenta não pode morrer sem a gente estar”.

Liodêngua explicou que a experiência lhe fez entender que, artisticamente, tem um espaço diante dos outros artistas. “A troca de experiências possibilitou que abrisse a mente sobre as técnicas que estão a emergir no mundo artístico”, acrescentou.

Fotografar na “Unidade 7”     

Foto: Ildefonso Colaço

Não só de pinturas é feito o movimento “Maputo Street Art”, há também fotografia, uma outra forma de arte. E coube a Ildefonso Colaço, fotógrafo e membro do movimento, registar, através de suas lentes os momentos que marcaram a visita guiada, bem como os dias de produção da colecção de murais.

“Foi uma experiência boa porque é um bairro diferente dos que já fotografei, apesar de existir algumas similaridades com Maxaquene, Mafalala, Chamanculo, e tudo que existe nos bairros periféricos”, partilha Ildefonso Colaço.

Para o fotógrafo, a interação com as pessoas que se faziam àquelas ruas, encheu-lhe de satisfação, não só a si, mas também ao movimento.

“Quando fotografava, nos dias que íamos pintar, conseguíamos ouvir e ver o feedback, quando as pessoas paravam, olhavam e apreciavam. Tudo isso, para nós, principalmente para mim, tornou o trabalho muito mais divertido”, explica.

Rentabilizar visitas guiadas pelos murais

Maputo Street Art, para além de deixar visíveis suas marcar por diversos bairros da Cidade de Maputo e não só, com ilustrações, desenhos significativos e pinturas, pretende implementar mais visitas guiadas. A nova narrativa urbana vai permitir aos artistas manter contacto e interação directa com o público, bem como a aquisição de fundos (dinheiro) para sustentar as actividades do movimento.

As duas primeiras visitas guiadas, decorreram em parcerias, mas “é uma ideia que nós temos muito antes mesmos dos dois festivais que nos permitiram efectuar essas acção”, esclarece, Ildefonso Colaço, acrescentando que “as visitas são muito boas porque as pessoas poderão acompanhar o nosso trabalho, mas para tal decidimos rentabilizar, estabelecer um budjet”, finaliza, a descrever que os fundos adquiridos servirão para manter em activo as actividades do movimento.

Neste momento, o colectivo tem tido outras formas de rentabilizar os seus trabalhos e como explica Colaço, “é dos trabalhos pagos, das sacolas, das camisetas que nós conseguimos, mas as visitas guiadas são uma adição”.

Em breve, o movimento Maputo Street Art vai disponibilizar um cartaz com informações referentes às visitas guiadas e as formas de marcação.

Foto: Ildefonso Colaço

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