Feira do Livro de Maputo arranca hoje

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A 8ª edição da Feira do Livro de Maputo, na comemoração dos 100 anos de José Craveirinha, celebra o autor do emblemático Nós Matámos o Cão-tinhoso como o Escritor Homenageado desta edição. Luís Bernardo Honwana, completa 58 anos de publicação literária.

A Feira do Livro de Maputo arranca hoje, 20 de outubro e termina no sabádo, 22 de outubro, em formato híbrido, ou seja, tanto de forma presencial, na Praça da Independência e no Átrio Municipal, quanto on-line, pelo canal no YouTube e Facebook da Feira do Livro de Maputo, com o patrocínio da Embaixada da Espanha em Moçambique, BCI, CFM, BNI, STANDARD BANK, MOZA, Bolsa de Valores de Moçambique, EDM, TMCEL, Fundação EHIKO, Águas da Namaacha e Infinity Holding.

A homenagem ao escritor Luís Bernardo Honwana, cuja “a vivência até aos dezassete anos no pesado ambiente de uma administração colonial, onde se desenhavam todos os efeitos do sistema […] ter-lhe-á (Luís Augusto Bernardo Honwana) servido de base para a construção de algumas personagens e situações narrativas”, assim o definiu Fátima Mendonça.

A Feira do Livro de Maputo vai se materializar em diversas disciplinas artísticas, a musica com o Coro Xiquitsi, teatro, oficinas de escrita e leitura, debates, concursos literários, palestras e outras atrações literárias 

Para Ungulani Ba Ka Khosa, homenagear Luís Bernardo Honwana, significa consolidar o papel fundacional do Pai da modernidade da nossa literatura “ Luís, desde os primórdios da nossa independência, nós tivemos a oportunidade de percorremos os primeiros 20 anos da nossa independência desse maravilhoso e marcante livro que é Nós Matámos o Cão-Tinhoso. o livro que felizmente marca e perdura porque muitos anos do nosso vício milenar (…) uma obra tão marcante e que perdure neste tempo todo.

ATRAÇÕES PRESENCIAIS

A Feira do Livro, graças a parceria com o Camões – Centro Cultural Português em Maputo e com Instituto Guimarães Rosa – Centro Cultural Brasil-Moçambique, que trazem a Maputo, duas vozes da literatura portuguesa e brasileira respectivamente, noemadamente Lúcia Vicente em residência literária e Tatiana Pequeno, autora do livro Tocar o Terror que será lançado na Feira do Livro.

De Moçambique pontificam nomes tais como: Ungulani Ba Ka Khosa, Paulina Chiziane, Marcelo Panguana, Sónia Sultuane, Aurélio Rocha, Jorge Ferrão , Licínio de Azevedo, Jaime Munguambe, Hirondina Joshua, Matilde Chabana, entre outros.

PROGRAMAÇÃO DIGITAL

A Feira do Livro de Maputo, entre 20 e 22 de outubro, vai contar este ano com a participação de vozes imprescindíveis da literatura lusófona e hispânica, Frank Báez (República Dominicana), Suzana Vargas (Brasil), Ungulani Ba Ka Khosa (Moçambique), Olinda Beja (São Tomé e Príncipe), Valentina Colonna (Itália) e Luís Castro Mendes (Portugal) tendo como lema “A complexidade da história não se esgota com o tempo”.

A Feira do Livro de Maputo, entre os dias 20 e 22 de outubro, vai contar este ano com a participação de escritores de 24 países, nomeadamente: Moçambique, Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Brasil, Portugal, Bolívia, Argentina, Espanha, Itália, Cuba, República Dominicana, Guiné-Equatorial, Honduras, Rússia, Finlândia, Inglaterra, Colômbia, Venezuela, El Salvador, Chile, Mali, Uruguai.

O evento, que contará com 12 mesas de autores e debates, vai contar com um espaço dedicado aos escritores e editoras, na Praça da Independência, decorrendo em simultâneo com actividades lúdicas e criativas para o publico infanto-juvenil, lançamentos de livros, oficinas de leitura, sessões de autógrafos e conversas entre escritores e leitores.

Biografia

Luís Bernardo Honwana nasceu em Maputo no longínquo ano de 1942. Cresceu na Moamba, onde o seu pai trabalhava como intérprete. Aos 17 anos foi para Maputo estudar jornalismo. José Craveirinha descobriu o seu talento. Em 1964, Honwana tornou-se militante da FRELIMO. Devido às suas actividades políticas, foi preso em 1964 e permaneceu encarcerado por três anos pelas autoridades coloniais. Após a independência, Luís Bernardo Honwana foi alto funcionário do governo e presidente da Organização Nacional dos Jornalistas de Moçambique. Desempenhou também funções de director do gabinete do Presidente Samora Machel e Secretário de Estado da Cultura.

Publicou a obra Nós Matámos o Cão-Tinhoso em 1964. Em 1969, ainda em pleno colonialismo e com a guerra colonial no auge, a obra é publicada em língua inglesa (com o título de We Killed Mangy-Dog and Other Stories) e obtém grande divulgação e reconhecimento internacional, vindo a ser traduzida para outras línguas. Esta obra estabeleceu um novo paradigma para o texto narrativo moçambicano. Na escrita dos contos que compõem o volume, Luís Bernardo Honwana favorecia um estilo simples e económico, prestando atenção aos aspectos visuais da história.

Nós Matámos o Cão-Tinhoso levou Luís Bernardo Honwana a viajar pelo mundo e permitiu que os leitores do mundo conhecessem Moçambique através da sua obra literária.

Com a mesma perícia na escrita, Luís Bernardo Honwana também escreveu A Velha Casa de Madeira e Zinco, à vontade de fazer ficção, Honwana juntou sempre a necessidade de escrever textos de análise e reflexão.

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