Vencedores do Prémio Literário Fernando Leite Couto estão em Portugal por um mês

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Maya Ângela Macuácua e Geremias Mendoso, autores vencedores do Prémio Literário Fernando Leite Couto 2022, aterraram em Portugal para uma série de actividades que irão desenvolver ao longo de um mês de estadia.

Maya, autora do romance “Diamantes pretos no meio de cristais”, e Geremias, autor do livro de contos “Quando os mochos piam”, farão lançamentos das suas obras naquele país ibérico, terão uma residência literária na Câmara Municipal de Óbidos durante 30 dias e participarão no FÓLIO – Festival Literário Internacional de Óbidos.

Desde a edição passada que os vencedores do Prémio Literário Fernando Leite Couto, além do valor pecuniário de 150 mil meticais, oferecido pelo Moza Banco, têm a possibilidade dessa troca de experiências com escritores portugueses, escritores africanos a residirem em Portugal e de outros quadrantes do mundo, em resultado de uma parceria com a Câmara Municipal de Óbidos, tendo sido Otildo Justino Guido, que levou o galardão com o livro de poesia “O silêncio da pele”, a inaugurar este novo ciclo do Prémio.

Lançadas no dia 30 de Agosto deste ano, as obras vencedoras retratam imaginários distintos, não obstante a proximidade geracional dos seus autores, facto que evidencia a diversidade do mosaico cultural moçambicano. “Diamantes pretos no meio de cristais”, de Maya Ângela Macuácua, ficciona cenários de segregação racial em Moçambique, na África do Sul e nos Estados Unidos, numa viagem por diferentes tempos. Em “Quando os mochos piam”, Geremias Mendoso oferece-nos uma série de contos que exploram o folclore moçambicano com uma dose sabiamente equilibrada de humor.

No anúncio dos vencedores do Prémio, a 18 de Abril, o júri, presidido por Francisco Noa, integrado igualmente por Conceição Siueia, Conceição Siopa, José dos Remédios e Albino Macuácua, atribuiu ainda menções honrosas a Fernanda Vitorino do Rosário Mualeia João, pelo romance “Amor em tempos incertos”; Wasquete Jasse Fernando, pela novela “Noites de desassossego”, e Adelino Albano Luís, que escreveu a coletânea de contos “Estórias trazidas pela ventania”.

Na presente edição, o galardão é dedicado à prosa. O prémio já laureou dois poetas, Macvildo Bonde, com “A descrição das sombras”, em 2017, e Otildo Justino Guido, com “O silêncio da pele”, em 2019. Em 2018, o júri decidiu não atribuir o prémio, pois nenhum dos candidatos reunia os requisitos de qualidade exigidos como critérios de premiação.

O prémio, criado pela Fundação Fernando Leite Couto, está a crescer, de modo que, além do Moza Banco, que já o patrocinava, passou a contar, igualmente, com as parcerias da Câmara Municipal de Óbidos, do Camões Instituto de Cooperação da Língua Portuguesa em Maputo e da Câmara de Comércio Portugal Moçambique.

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É licenciado em Jornalismo, pela ESJ. Tem interesse de pesquisa no campo das artes, identidade e cultura, tendo já publicado no país e em Portugal os artigos “Ingredientes do cocktail de uma revolução estética” e “José Craveirinha e o Renascimento Negro de Harlem”. É membro da plataforma Mbenga Artes e Reflexões, desde 2014, foi jornalista na página cultural do Jornal Notícias (2016-2020) e um dos apresentadores do programa Conversas ao Meio Dia, docente de Jornalismo. Durante a formação foi monitor do Msc Isaías Fuel nas cadeiras de Jornalismo Especializado e Teorias da Comunicação. Na adolescência fez rádio, tendo sido apresentador do programa Mundo Sem Segredos, no Emissor Provincial da Rádio Moçambique de Inhambane. Fez um estágio na secção de cultura da RTP em Lisboa sob coordenação de Teresa Nicolau. Além de matérias jornalísticas, tem assinado crónicas, crítica literária, alguma dispersa de cinema e música. Escreve contos. E actualmente, é Gestor de Comunicação da Fundação Fernando Leite Couto.

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