Activa-te pelo direito à saúde na UP-Maputo

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Nelson Mabuie está sentado num dos acentos de uma das salas de aulas da sede da Universidade Pedagógica de Maputo. Concetrado, olha para imagens em movimento, as cenas do filme “Intervalo”, exibido na última semana no ambito do projecto “Activa-te. Às vezes sorri, diz algumas palavras inaudiveis e volta a ficar em silêncio. Apesar de ter protagonizado o filme há doze anos, ainda se emociona ao reviver algumas passagens do película.

“Intervalo” retrata a vida de Mariamo, uma menina de 10 anos, aluna da 5ª classe. O filme ilustra a dificuldade que os pais têm em dialogar com as filhas adolescentes na menarca. Ao desenrolar do filme, o pai tinha medo de introduzir a conversa, mas o que não imaginava é que a filha já sabia e  no fim, a filha acabou dando aula ao pai sobre o que terá aprendido na escola.

Depois da exibição da curta-metragem “Intervalo” e “Activa-te”, seguiu-se um debate sobre os principais desafios na construção de masculinidade positivas, que contou com a presença Nelson Mabuie, que além de contracenar com a filha Mariamo, é o realizador do filme.

“O filme é para mim um instrumento que usei para transmitir os ensinamentos que herdei da minha avó. Cresci ela e fazia tudo o que as meninas faziam e hoje sou uma pessoa mais liberal”, disse.

Nelson Mabuie quando realizou o filme tinha como foco retratar o contexto de masculinidades tóxicas e a ideia inicial era produzir uma peça de teatro.

“As negatividades surgem com as transformações. O filme ajudou a acompanhar o crescimento da minha filha, ajudou a caminharmos juntos e trouxe resultados bons, hoje inclusive trabalhamos na mesma empresa”.

Mariamo, a menina do filme, está hoje crescida e irreconhecível, tem 23 anos e deu uma neta ao pai.

“Acredito que arte pode impactar positivamente as vidas das pessoas, mas a mudança deve começar connosco”, disse.

Para o pai de Mariamo é necessário quebrar as masculinidades tóxicas, “por isso estou aqui neste evento. Por isso, também, vou às consultas da minha neta e não fico na fila”, frisou Nelson Mabui.

Os estudantes e pais que se fazem nesta sala, também, participam na mesa do debate, uns contaram sua história e outros queriam saber, como o filme ajudou o realizador a acompanhar o crescimento da filha e em resposta Nelson Mabuie disse  que ajuntou os dois a caminharem juntos, “ficaram mais próximos, conversavam de tudo e inclusive, participei de uma das primeiras sessões de planeamento familiar da Mariamo”, detalha.

Para melhor percepção do debate, Eunice Margarido, gestora de programas, traz exemplo de uma família onde o pai é rijo e quando chega a casa cada um dos seus filhos vai ao quarto, inclusive tomam suas refeições em quartos diferentes. Tenta com essa história trazer a ideia de que o homem está preocupado somente em trazer o dinheiro à casa e esquece da parte afectiva. Em seu discurso, destaca ainda que ir ao hospital com a parceira, dialogar ao invés da violência, como masculinidades positivas, o que é um ganho não só para o homem, mas também para a família e sociedade.

“As unidades sanitárias estão preparadas para receber os pais e que os mesmos tem prioridade na fila”, salientou.

E quando mais estudantes levantam as mãos para mais intervenções, a moderadora fecha a sessão, incentivando aos pais e a toda comunidade a transformarem as gerações vindouras.

“Estão a ser criadas estratégias nas unidades sanitárias para envolver mais ainda os pais, como: dar prioridade em dias de consulta, colocar duas cadeiras na sala da consulta, ter profissionais capacitados,  estão a ser feitos trabalhos a níveis distritais para fazer chegar a informação” conclui.

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