Franco abriu-se para o Punhos no ar

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Os punhos no ar, as cabeças a acenar e o RAP a ecoar, o Hip-Hop nacional esteve em festa. Já há dois anos que não se via algo igual, por conta da pandemia. Na sétima edição do Festival “Punhos no Ar”, rappers da velha e nova escola partilharam o palco e apresentaram, de uma vez só, os seus maiores sucessos.

As apresentações começaram debaixo do sol das 15. A luz era forte e de um dourado que rendeu boas selfies aos espectadores. Em Palco, Pier Dog e Negro assumiram o Cokpit. Ligaram os motores e levantaram as energias que o público trazia, depois de um período de expectativas.

Pier Dog, sempre vigoroso e fervente amante do hip-hop moçambicano, aqueceu o público com o grito a imitar um Cão (Dog). Já é sua marca e o público acompanhou de punhos no ar. Aliás, vários foram os artistas que, em palco, destacaram o papel de Pier Dog, através da Nexta Vida Enterteinment, para alavancar o estilo.

Em palco, não só houve barras. O Dj Proodp Amutela fez das suas misturas aperitivos para o BREAK DANCE, do Grupo 3D, a Batalha de Hip-Hop e, ainda, para uma Feira que tiveram lugar no Franco Moçambicano. A maioria cantou com banda, alguns entregaram freestyles a capela e outros nem por isso.

Punhos no ar pela unidade nacional

O Menu da Sétima edição do ‘‘Punhos no Ar’’ era bem recheado. De Xai-Xai, Vanila’s Boy trouxe sons que compõem o álbum “Tempo”, seu trabalho de estreia. Cantou aos saltos, a entornar sobre o público letras que descrevem experiências e sonhos, mas também medos e desejos que tem como rapper.  

Havia, também, artistas de outras zonas de Moçambique. Beira, Nampula, Lichinga, efim… a ideia de unir rappers de todo o país é bem conseguida, pois abre espaço para o púbico beber, num trago, a riqueza e diversidade de cultores de hip-hop que o país tem.

No cair da noite, Trovoada subiu ao palco. As barras cómicas, por vezes a roçar o sarcasmo, e ricas em duplos, triplos e mais sentidos entreteram e arrancaram do público sorrisos e Punhos no Ar.

A seguir, Os 9NAKONZ pegaram nos Mic’s e fizeram a festa. Slim Nigger, 16 Cenas (SIXA), Hyru, entre outros membros, de uma vez só, mostraram algumas faixas do álbum ‘‘Constelações’’, lançado ano passado, que é o primeiro trabalho deste grupo composto por artistas que pertence(ra)m a vários outros grupos sonantes de Hip-Hop nacional.

As energias já estavam em alta e público queria mais. A batalha de hip-hop foi a proposta que se seguiu. De um lado, MC Mabenda (Maputo) do outro Amazing Lecyo (Beira) trocaram insultos, xingamentos e ofensas, na busca pelo domínio e autoafirmação. O público vibrou, mas também mostrou que é crítico e sabe impor limites.

Mc Mabenda foi vaiado, e com razão. Soltou impropérios, diante de pessoas que queriam reflexões e profundidade. Já dizia Azagaia (que também actuou) que ‘‘A sociedade é um mostro, contra ela ninguém se atreve’’. E foi isso que aconteceu. A batalha teve de ser interrompida, porque o Gladiador abandonou o palco. Depois regressou, mas não mais conseguiu convencer. Da Beira, Lecyo veio à Maputo derrubar um dos gadiadores mais temidos de Maputo e do país inteiro.

Pouco antes das 21, 3H subiu ao palco com a sua banda. É isso. 3H mostrou que sabe. Com a ‘‘Team 3’’, o rapper (re)misturou, ao vivo, os clássicos Bangalala, Meu Estilo, Zona Quente e Disco Duro.

Sem coroa, Rei Bravo mostrou que domina a arte. As temáticas a refletir vivências quotidianas, o rapper de Lichinga conquistou mais fãs em Maputo. Buscou sons que considera mais conhecidos e os serviu no Festival Punhos no Ar.

Kloro, por sua vez, deu cor e mais vida a noite. Subiu ao palco na companhia de Teknik, quem o acompanhou na produção de boa parte do Revolução Cultural. Cantaram a ‘‘Música da Sociedade’’ e outros sucessos.

Em seguida, o Coletivo Vila Perygoza mostrou o perigo embutido em seus versos. O grupo composto por cerca de 10 membros, interpretou faixas colectivas, antes de cada artista apresentar-se individualmente. Proporcionaram um momento solene, em que pediram o apagar das luzes do palco, para que, com lanternas dos celulares, o público prestasse homenagem às victimas do terrorismo em Cabo-Delgado. Os Punhos em Alto, o hip-hop mostrou que também é feito de sensibilidade. Ainda se apresentaram Skiny SkhoKho, Uhuro The Prince,Rei Bravo, Kloro, Dynomite, entre outros.

Os momentos mais altos do festival foram deixados para o fim. Duas caras, com sons do Afromatic e Djundava, levou o público ao êxtase, que o acompanhou em todas as faixas. Quando da guitarra emergiu Mamyo, o público cantou alto e em coro.

Coube a Azagaia a missão de encerrar o encontro. Com a mesma energia, transpirou no palco e espalhou o perfume das suas líricas. Interpretou uma mescla de sons distribuídos pelos seus discos. Foi buscar, em Cubaliwa, a faixa ‘‘Calaste’’, para lembrar ao público de não se calar diante das injustiças sociais e abusos do poder. Ainda interpretou ‘‘Povo no Poder’’, clássico com que clarifica o seu grande objectivo como rapper e cidadão moçambicano.

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