A periferia é lugar de arte

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Sentadas nos bancos de madeira, no interior do Projecto Utopia,as pessoas aguardavam pelo início de mais uma edição do sarau cultural “Eu Sou do Guetto”.

Um homem de aparência jovial, trajado à capulana, como pede a cultura africana, e com os cabelos presos, caminhava de pés descalços para o centro da sala, era o Watson Colosse, um dos fundadores do movimento cultural “Eu Sou do Guetto”, sua intenção era única: decretar o ínicio de mais uma viagem pelas artes e, acima de tudo, de reflexão sobre o talento existente em pessoas provenientes dos bairros periféricos, entre os artistas, aspirantes e não só.

O sarau “Eu Sou do Guetto” abriu espaço para os artistas apresentarem seus trabalhos de poesia, música acústica, artes plásticas, stand up comedy e teatro. Para além disso, estimulou o surgimento de novos artistas, várias foram as pessoas queusaram do sarau para declamar pela primeira vez em público. No sarau cultural, os artistas tiveram, igualmente, a oportunidade de falar de si e de seus projectos culturais a longo e curto prazo.

“O nosso objectivo é criar uma rede de intercâmbio entre os artistas, para que haja esse debate sobre a periferia, produção e provocativa de como é viver na periferia”,  explicou Watson Colosse à Mbenga.

Guetto é pura arte” foi a proposta levada para a edição do sarau cultural “Eu Sou do Guetto”, que teve lugar, no último sabádo, no Projecto Utopia, sita no Bairro da Mafalala.

Segundo Colosse, a proposta defende que, os que vivem nos bairros periféricos, são artistas, que, todos os dias, inventam formas criativas de viver.

“Guetto é pura arte porque é um sítio de resilência. Se não tem pão, pede, se não tem como pedir, vai a procura. O convencional é por vezes usado, mas quando não temos oportunidade de usar o convencional, usamos essas invenções e, por isso, é pura arte porque nós nos reiventamos”, narra.

Domingos Maibasse seleccionado para 3ª eliminatória do Moz Slam


Domingos Maibasse foi o Slammer selecionado
, no Sarau “Eu Sou do Guetto” para concorrer na 3ª eliminatória da 4ª edição do Moz Slam- Campeonato de Poesia Falada, prova a decorrer no dia 20 de Agosto, no Café das Letras, em Maputo.

Sob moderaçao da, também, poetisa Matilde Chabana,integrante do corpo de júri da batalha de Slam Poetry, o público seleccionou Domingos Maibaisse, num universo de cerca de dez poetas que concorriam para a única vaga.

As reações do público, que se fez presente ao sarau, através da intensidade das palmas e assobios, ditaram a ida de Maibasse ao Campeonato de Poesia Falada.

Eu já esperava, mas quando vi algumas pessoas a declamarem, fiquei com um pouco de dúvida, principalmente quando nos chamaram para o palco e o público estava ali a aplaudir para os poetas que concorreram”, reagiu Domingos Maibasse, logo após anúncio feito por Matilde Chabana.

Maibasse, deseja participar do Moz Slam, já há muitos anos, mas “não me achava preparado para participar de uma batalhade poesia”, narra, acrescentando que, ao Campeonato de Poesia Falada, levará consigo poemas de qualidade, histórias interessantes e melancólicas.

“Eu Sou do Guetto” assina novas parcerias


O movimento cultural “Eu Sou do Guetto”,
uma iniciativa de Watson Colosse e Alice Ambrucer, que surge em 2019 e 2020, conta agora com a parceria do Centro Cultural Moçambicano-Alemão, do Moz Slam-Campeonato de Poesia falada e do espaço Utopia-Mafalala. O facto foi avançado por Watson Colosse, durante sarau “Eu Sou do Guetto”, no último sábado, no Projecto Utopia.

“Essas parcerias significam que nós estamos a trabalhar e temos alguma qualidade para criar laços com outros movimentos eorganizações”, explica Watson Colosse.

Para Colosse, em parcerias deve haver ganhos mútuos, “há interesses partilhados e os mesmos estão a ser benéficos para ambas as partes”, conta acrescentado que, com as novas parcerias, a responsabilidade do movimento fica acrescida.

Actualmente, o movimento cultural “Eu Sou do Guetto, é composto por jovens artistas que combinam diversas formas de manifestação artística, pretendendo reconstruir a visão das pessoas sobre a periferia.

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É uma jovem moçambicana, que apaixona-se pela escrita e pelo fazer jornalismo, ainda em tenra idade. Em 2021, forma-se em locução pela Rádio Cidade das Acácias. Recentemente, frequenta o curso de licenciatura em Jornalismo, na Universidade Eduardo Mondlane. Colabora na União Nacional de Estudantes como Directora adjunta do Departamento de Comunicação e Imagem. Para além de textos jornalísticos, dedica-se a escrita de prosas e crónicas literárias.

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