Hermelinda Simela Vive!

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A arte não morre, permanece além do tempo, da carne e da vida. O corpo de Hermelinda Simela repousa no chão deste mundo, mas sua obra ainda respira, tem pulso e inspira mais gerações a seguirem seus passos.

O Jardim do Centro Cultural Moçambicano-Alemão esteve, na última quarta-feira, preenchido de gente que gosta, admira e conviveu com a actriz e cineasta moçambicana, Hermelinda Simela, durante os anos em que esta esteve em vida.

E a homenagem a esta mulher que se destacou como uma das activistas culturais mais proeminentes de  Moçambique, iniciou com 1 minuto de silêncio, por parte de todos os presentes no local.  Entre olhos fixos aos trabalhos de Simela que iam sendo (re) visitados e os ouvidos abertos para captar, minuciosamente, os relatos de quem conheceu Hermelinda Simela, foram relembrados os feitos da artista.

Como forma de fazer (re) viver Hermelinda Simela, o seu monólogo de Teatro “Mato e Voltarei a Matar”, foi revisitado, juntos de seus familiares, colegas, amigos e apreciadores de trabalho. O monológo decorre no período de confinamento, em resposta às medidas de prevenção contra a Covid-19.

“Mato e Voltarei a Matar” é  a afirmação que desenvolve a história de uma familia de 3 pessoas (casal e uma filha), representada únicamente e exclusivamente pela actriz Hermelinda Simela. Mário, mal se beneficiou da amnistia, tirou proveito do distanciamento social para pôr em prática os seus actos de agressão física, verbal, psicológica e sexual à sua esposa, Rosa. A mulher, ao ver que sua filha, menor de idade, seria violada sexualmente por seu marido, pôs fim a vida de Mário, seu esposo.

Mas não foi  apenas visualizado o monólogo de Teatro da actriz, foram (re) visitados excertos do filme “Virgem Margarida”, do realizador Licínio Azevedo, filme em que a actriz e cinesta Hermelinda Simela, encarna o papel da Comandante Maria João.

Familiares, amigos e colegas das artes, expressaram, em público, os seus sentimentos pela Hermelinda Simela, como também descreveram, emocionados, os momentos mais marcantes que passam com a artista. Os colegas de trabalho, foram mais fundo ao narrar o prazer que foi partilhar o set e o palco com a actriz.

A irmã da artista, aponta que Simela é propriedade das artes e cultura moçambicana. Falando em representação da família, afirma que a luta de Hermelinda Simela, valeu a pena.

“A Hermelinda pertence a vocês. Pertence a um mundo que, desde a infância, lutou para pertencer.  A inspiração que vocês têm nela, mostra o quanto valeu a pena ela lutar para estar nesse mundo”, descreve emocionada, Irmã de Hermelinda Simela.

Lucrécia Paco recordou Simela, através de uma performance criada para a ocasião. Misturando cântico e poesia falada, Paco reviveu alguns dos grandes momentos que partilhou com Hermelinda Simela.

“ Pessoalmente não trabalhei muito com a Hermelinda, mas pude ver desta menina, com sede de saber, com esta entrega, pude ver o seu crescimento até ao dia em que ela nos deixa”, descreve Lucrécia Paco.

Quem também não deixou a chance de relembrar a actriz, é Dadivo José. Para o actor e encenador, Simela deixa um legado para a nova geração de actores.

“Eu acredito que há mais pessoas que podem falar com muita propriedade sobre a Hermelinda. E essas pessoas tem o dever de pegar esse legado e transformar em algo que seja aprendizado para os mais novos”, explica Dadivo José.

Já a actriz Ana Magaia, aponta que é preciso imortalizar Hermelinda Simela em eventos que recordam suas obras.

“Este já é um início, em que passado um ano, nós ainda pensamos nela. Há instituições que reconhecem o trabalho e a marca que ela deixou”, afirma Ana Magaia.

A Directora do Centro Cultural Moçambicano-Alemão, espaço que teve a iniciativa de homenagear Simela, reviveu a artista recordando momentos que partilhou com a mesma. Não é só um ano de desaparecimento físico da actriz, é também o aniversário de sua filha, por isso, a Directora ofereceu uma prenda às duas filhas que Hermelinda deixou.

Os familiares, amigos e colegas das artes foram unânimes em afirmar: “Hermelinda Simela Vive”.

Hermelinda Simela, que perdeu a vida durante trabalho de parto, em Agosto de 2021,  no Hospital Central José Macamo, Cidade de Maputo, nasceu a 7 de Outubro de 1982, em Nampula.

A artista formou vários actores, como também deu sua voz ao teatro e ao cinema. Mas a actriz não parou por aí, Simela participou de longa-metragens, como “Virgem Margarida”,  “Comboio de Sal e Açúcar”, “Avó Dezenove e o Segredo do Soviético” e “Mosquito”, sem esquecer da série “Aquele Papo”.

Sua actuação no longa-metragem “Virgem Margarida”, fez-lhe merecedora do prêmio “Melhor Actriz Secundária”, nos African Movie Academy Award (AMAA), da Nigéria. Já o filme “Fénix em hibernação”, realizado por Hermelinda Simela, distinguiu-se em primeiro lugar,  na quinta edição do concurso de Curta-metragens, realizado pelo Centro Cultural Moçambicano-Alemão, como “Melhor Curta-metragem”.

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