Cinco dias de um diário que poderia ser meu (2)

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Dia 2.

Um carro num quintal, duas chaves e uma abre garrafas personalizada, cansada de ser pouco solicitada. Estou a dever. Já não consigo amanhecer, queria ter o fôlego para terminar cinco 2M extra-larga, mas pelo que meu corpo me diz, devo ter outros talentos. Não sei. Talvez. Deixei-me voltar e colocar a chave no devido lugar. Manobras, a estrada está tranquila, as escadas cansativas me recordam que já não tenho 18 anos. Nunca mais terei. Olho para o ecrã, conceitos, headline por fechar, activo o modo de voo, por vezes recebo algumas ligações, inspiração, mas só consigo decolar no último minuto do tempo de compensações.

Entro no carro, a estrada não é iluminada, os faróis tem uma luz fusca, mas o meu sentido de direção me deixa no quintal. Abro o laptop, assisto uma séria completa, acordo, mais de 4 500 e-mail por responder e sem vontade de me espreguiçar, abro o celular e visualizo status, até perceber que meu status saiu descalço. Piso a areia, meus dedos sentem os grãos enquanto a água ferve para o chá e o banho, que ontem fiquei a dever.

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