Os rappers são potenciais actores políticos

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É inegável que o fazer hip-hop em Moçambique tem passado por diversas mudanças, nos últimos tempos. Basta olhar para as vestes, as letras e o estilo informal predominantes nos primeiros fazedores, para perceber que as Bag Jeans, os ritmos underground e o grafite (quase que) já não fazem parte do dia-a-dia da maioria dos amantes (da nova escola) do estilo.

O Rapper e radialista moçambicano, Hélder Leonel, constata que, com as alterações, o fazer hip-hop diversificou-se. Apesar disso, defende que o estilo está a perder boa parte dos seus traços identitários.

“Nos últimos dez anos, já não se está a seguir, de todo, temas de intervenção social”, avançou Hélder, a sustentar que, actualmente, “está-se a legitimar abordagens que pouco se alinham a ideia de mudar o mundo.”

Integrante dos Rappers Unit, considerado o primeiro grupo de rap em Moçambique, Hélder Leonel falava num debate havido no Museu Mafalala, como preparação para o Festival do Hip-Hop “Punhos no Ar”. A ideia era discutir o papel do hip-hop na resolução de conflitos, na actualidade.

Na ocasião, Hélder Leonel também disse que uma das missões do hip-hop é instigar as pessoas a tomarem atitudes proativas.

“É também incentivar os jovens em situação económica vulnerável a ter ideias produtivas”, detalhou, a acrescentar que é uma plataforma de cidadania, de activismo social e de sensibilização para a mudança de comportamento.

“Os rappers são potenciais actores políticos”, justificou.
Promove-se o sexismo, a misoginia e o egoísmo, continua. “Isto é consequência do desafio actual do hip-hop, que é lutar contra multinacionais que nos vendem um estilo de vida que não se enquadram, nalguns casos, ao nosso contexto”.

Alinha na mesma opinião o rapper Simba Sitoe. Mc e percursor de iniciativas para a revitalização do hip-hop, tal é o caso de “Amor a Camisola”, na sociedade moçambicana, Simba Sitoe vê no estilo hip-hop uma arma com que se pode combater as enfermidades actuais.

“O hip-hop é um assunto pertinente nos dias de hoje, sobretudo pelas guerras e crises. É uma arma com que podemos lutar contra o terrorismo em Cabo Delgado, por exemplo”, avançou.

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