Sandra Tamele participa de uma antologia em Londres

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A tradutora e editora moçambicana, Sandra Tamele, faz parte dos 21 tradutores que participam de uma antologia intitulada Violent Phenomena: 21 Essays on Translation. Trata-se de uma obra editada em Londres, Inglaterra, pela editora Tilted Axis Press, na qual tradutores de todo o mundo se juntam num e único livro para reflectir sobre as diversas formas para separar a tradução literária das suas raízes na violência imperial.

O artigo da tradutora Sandra Tamele, intitulado Desassimilar: Decolonizing a Granddaughter of Assimilados (Desassimilar: Descolonizar a Neta de Assimilados), conta com 20 páginas e parte do principio defendido por Frantz Fanon, em 1961, Segundo o qual “a descolonização é sempre um fenômeno violento”, o que significa que a violência do colonialismo só pode ser contrariada na mesma moeda.

No artigo, Sandra Tamele reflecte os problemas de raça, do colonialismo, das línguas maternas, entre outros aspectos a partir da sua história pessoal e profissional. “Venho de uma família de assimilados e ao mesmo tempo o meu pai pertenceu a uma geração particular na história de Moçambique, que é a 8 de Março. A minha preocupação é compreender como é que estes elementos tiveram influência no meu percurso, desde o facto de a minha família ter sido constituída por um pai Changana (língua falada no sul de Moçambique) e uma mãe Kimwane (língua falada em Cabo Delgado, no Norte do país) e nós os filhos termos sidos educados em língua portuguesa, nossa língua de unidade nacional e materna”.

Neste sentido, a tradutora reflecte sobre como é que estes diversos elementos contribuíram na formação do seu carácter e professional. “Abordo como é que esta ânsia por uma língua materna moçambicana abriu um espaço para que continuasse esta assimilação, aprendendo línguas europeias, portanto, colonizadoras”.

O texto da tradutora moçambicana mostra, em última instância, o desassimilar e descolonizar, processos pelos quais um tradutor passa, num processo que visa corrigir a questão de desvalorizar as línguas africanas perante as europeias. “O colonialismo deixou-nos com isto, valorizamos as pessoas com a pele mais clara e isto está patente no meu trabalho . Abordo também a forma como o mulato é visto na nossa sociedade e como é que isto está presente na nossa literatura. O elitismo que existe, temos uma cultura que permite que associemos o raciocínio crítico e intelectual à pessoas de pele mais clara em detrimento de pessoas de pele mais escuras”.

A editora que vai lançar o livro está neste momento preocupado com a discussão sobre o descolonizar sobretudo no século XXI, num contexto em que se está a ver tendências imperialistas disfarçadas de globalização, a neocolonização e nos últimos tempos a Guerra na Ucrânia.

Para além da Sandra Tamele, colaboraram para a materialização desta obra escrtitores e tradutores como Gitanjali Patel, Nariman Youssef, Kaiama L. Glover, Aaron Robertson, Khairani Barokka, Anton Hur, Ayesha Manazir Siddiqi, Eluned Gramich, Sofia Rehman, Layla Benitez-James, Mona Kareem, Lucia Collischonn, Sawad Hussain, Yogesh Maitreya, Hamid Roslan, Onaiza Drabu, Shushan Avagyan, Monchoachi (tr. Eric Fishman), Elisa Taber, M. NourbeSe Philip, Barbara Ofosu-Somuah e Madhu Kaza.

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Encontrou na escrita o tubo de escape para a vida. Nasceu no Posto Administrativo de Malehice, distrito de Chibuto, província de Gaza. Foi lá onde deu os primeiros passos da vida. Formado em Jornalismo pela Escola Superior de Jornalismo e em História pela Universidade Eduardo Mondlane, é membro da Plataforma Mbenga Artes e Reflexões desde 2014. Além de escrever, também edita e sonoriza o programa radiofónicos desta plataforma, intitulado Conversas ao Meio Dia, que vai ao ar todas as sextas-feiras, na Rádio Cidade. Pretilério Matsinhe colabora igualmente com muitos outros jornais da praça!

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