O IOMMA arrancou com propostas do Quénia, Ilha Reunião e Madagáscar

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À semelhança de Maputo, a temperatura de Saint Pierre é uma incógnita onde tudo é possível em 24 horas, chuva, sol intenso, calor e frio. Ontem foi assim durante o dia e, afinal, era o prenúncio da noite do início do IOMMA.

O IOMMA é a sigla do Mercado de Músicas Oceano do Índico, para o qual são convidados produtores, programadores, jornalistas e outros intervenientes da indústria musical da costa para ver bandas e músicos que poderão “bukar” para os seus espaços de actuação.

Passavam alguns minutos depois das 18.00 horas, quando a delegação moçambicana chegou ao Le Kervenguen, onde se realizou a abertura destes showcases, que irão decorrer até quinta-feira.

A delegação moçambicana é composta por representantes do Conselho Municipal da cidade Maputo – vereação da Cultura, Director Geral da Khuzula Investimento Paulo Chibanga, a Banda Rahja Ali, a Associação Iverca e os jornalistas José dos Remédios e Leonel Matusse Jr.. Assim como a banda do Radjha Ali, composta por Amade e Nando Morte (percussionistas), Sílvio (guitarrista), Sidney (baixo) e Paulo Borges (eng. de som).

Cabia ao conjunto Gargar Meets Kasbah, do Quénia abrir as sessões. E assim foi. Um trio de mulheres quenianas de origem somali, Luli Bashir Muge, Anab Gure Ibrahim e Amina Bashir Elmoge vestidas de branco no centro do palco que tinha nas laterais o músico franco-argelino Kasbah, um guitarrista virtuoso e uma percussionista super enérgica.

A sua proposta é uma música folclórica somali, chamada cuchítica, numa fusão com a electrónica e uma base instrumental ocidental, que empresta outras sonoridades ao tradicional.

Este conjunto, vencedor do Prêmio France Musique de World Music 2014, vinha carregada de uma grande expectativa, pois o seu conceito é interessante. Entretanto, notou-se uma desconexão entre os elementos da banda e sob ponto de vista performativo, tem ainda alguns aspectos por consolidar.

Paulo Chibanga e Ivan Laranjeira, dois programadores moçambicanos, já com anos de estrada, observaram que “talvez depois de mais rodagem, poderão acertar o passo”.

Musicalmente, a viagem no “Garissa Express” – título do álbum que apresentaram -, habitam num universo sónico verdadeiramente exploratório e experimental.

Na sequência, Saodaj, um jovem quinteto da Ilha Reunião, nos apresentou uma proposta de maloya, ritmo tradicional da ilha, com um vocabulário composto de várias influências da Europa e africanas. Mais conectados, enquanto conjunto, a voz de Marie Lanfroy, sua vocalista, proporcionou meia hora de performance, como é a regra para todas as bandas.

Com a chuva a cair fora da sala do espectáculo, transmitiu o seu calor com a sua música que embora “contaminada” com outras sonoridades, mantém a sua conexão com o ancestral.

Aquela meia hora de uma música única soube a pouco. Olo Blacky, uma banda malgash é que fechou a primeira noite.

Para Moçambique, a expectativa está em alta para vermos Radjha Ali amanhã às 21.30 de Saint Pierre (19.30, em Moçambique).

Durante a tarde, haverá um workshop, subordinado ao tema “Método de avaliação de impacto ambiental, social e territorial para o setor musical”. É mais tarde, Jim Fortuné, Kombo e Fayazer, os três da Ilha Reunião farão as suas apresentações. Assim como, da Ilha Seicheles, se apresentará Eliajah e a banda Warrior.

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