Elcídio Bila lança “Crónicas de emergência” na celebração dos 10 anos da Kuvaninga

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Capa_Crónicas de Emergência de Elcídio Bila

O escritor e jornalista Elcídio Bila lança na próxima quarta-feira o livro “Crónicas de emergência”. A apresentação da obra, que coincide com a celebração dos 10 anos da Kuvaninga, será feita na Galeria do Porto de Maputo, às 17h00.
“Crónicas de emergência” é uma novela em jeito de crónicas, publicadas diariamente, todo o final do dia, na plataforma Mbenga – Artes e Reflexões. “O primeiro texto foi publicado no dia 3 de Abril de 2020, uma reação literária (mas também jornalística) ao primeiro decreto, resultado de medidas preventivas contra à Covid-19”, considera o autor na sua nota ao livro.
Bila toma a ficção como alicerce para contar as peripécias que se vive(ra)m naqueles instantes turbulentos. “Coloco em cena um casal de jovens com dois filhos menores. O drama gira em torno deles. É uma família moçambicana. Da capital. Mas podia estar em qualquer canto deste país. Como muitos, foram obrigados a ‘ficar em casa’. Essa era a tónica governativa para impedir o progresso da pandemia, mas era, ao mesmo tempo, o nascimento de uma crise social, para além de económica. Este livro cinge-se nisso… nas relações (extra)conjugais e na educação dos menores”, acrescenta.
Para Dionísio Bahule, no seu prefácio ao livro, a inserção do acto literário dentro do laboratório social – dá-se não fora do contexto, mas captando-o. “É disso que se mostra nas Crónicas de Emergência – um recurso laboratorial de denúncia cáustica sem deixar de lado ‘os pequenos nadas’ que movem o universo social que percorre Maria e Mário junto de seus dois filhos. Os problemas do lugar do papel; do confinamento forçado pela calamidade; o desencadear dos segredos há muito guardados; a insustentável mania do indigesto da traição do outro, mas também – o burilar da quotidianidade entre o lúdico e a necessidade do interpelar por meio de movidas questões que circulam em um estilo que transita entre a crónica enquanto lugar revelador do humano e a novela – nesse seu espaço construir atitudes que esboçam o tempo mergulhado na contínua sede de compreender o homem.”
Bahule revela ainda que o casal que se descobre no recolhimento – é dado aqui como pretexto das vivências e corruptelas sociais construídas no universo da fotografia do dia-a-dia para colocar em memória o momento e seus problemas.
Já Jossias Guambe entende que a ligação homogénia de 13 emergências é muito gira, pois, no seu entender, leva consigo, suavemente, um pouco de tudo que se vive em tempos de emergência decretada ao mais alto nível: desobediência brutal; humor do lado do artista; emoção de derramar lágrimas pelo forte sentido que a coisa tem olhando para nossa sociedade tomada, sem disfarce, pela falta de disciplina e pelo comportamento medíocre em plena pandemia; o romance que rola dá algum mel para atenuar o feio mas mais linda é a moral que, de forma didáctica, esta obra literária nos repreende.
A obra “Crónicas de emergência” será apresentada pelo jornalista e ensaísta José dos Remédios e pela psicóloga Crimilde Fernandes e com os comentários do jornalista Leonel Matusse Jr.
Elcídio Bila trabalha com comunicação e marketing na Tindziva – Comunicação & Ideias. É director do projecto crossmedia Entre Aspas. É co-fundador e coordenador da Kuvaninga cartão d’arte – plataforma moçambicana de produção de livros e outros artefactos com capas de cartão reaproveitado. É director de programas na Associação Cultural Nkaringanarte. Colabora com a Revista +Jovem. Tem publicado Crítica e Crónicas na imprensa nacional e internacional. Tem várias propostas de livro que aguardam publicação. É autor da colectânea de contos Xiphefu (2013). Crónicas de Emergência (2022) é seu segundo livro.

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