Barimu: um artista do bairro Maxaquene C

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Fotografia de Ildefonso Colaço

Manuel Manuel Mapico, ou carinhosamente Barimu, é um artista guiado pela certeza de que não existem sonhos inalcançáveis. Entrou para o mundo das artes em 1988, pela via do desenho-livre, quando produziu os seus primeiros esboços numa pequena galeria improvisada na casa de um vizinho desenhador, a quem acompanhava em sessões de produção de obras.
Nasceu, cresceu e reside no bairro Maxaquene C, na periferia da cidade de Maputo. Artista desde os 8 anos de idade, Barimu sempre mostrou comprometimento com causas sociais, razão pela qual produz obras voltadas a sua comunidade. Lá, com o apoio de seu pai e irmão, além de outras pessoas chegadas, foi aprimorando as suas habilidades, conforme o passar do tempo e começou a pintar.
Pintar é, na verdade, um modo de dizer. Barimu escreve textos à pincel em chapas de zinco, paredes, murais e outros suportes, partilhando visões, histórias e vivências do seu bairro. Também aborda questões como corrupção, impunidade, crimes e outros males que mancham o país e o mundo, ao mesmo tempo que demonstra ser um homem cheio de sonhos e paixões.


Trata as suas obras por “ducumentos que conduzem para o tratamento humano”, pois neles também traz “palavras medicinais” como contributo para a defesa espiritual e o bem-estar na esfera individual e coletivo.
É presença notável nas ruas de Maxaquene C, onde inclusive abriu uma galeria à céu aberto. Criou o espaço tempos depois de não conseguir emprego numa empresa televisiva, como forma de igualmente abrir o seu próprio canal onde pudesse mostrar ao mundo realidade que as câmaras não captam. Existem na referida galeria dezenas de “documentos” produzidos nos últimos anos e expostos no local que corresponde a um cartão-postal do bairro Maxaquene C.
Um aspecto que logo chama a atenção nas “pinturas” de Barimu é a disposição das letras numa espécie de linguagem “criptografada”, que exige um esforço por parte do leitor para a sua compreensão.
Assim o faz devido a um distúrbio mental com que se vive já há anos, mas que não o impede de se manter no seu percurso artístico. Actualmente, é desafiado pela falta de materiais (tintas, pincéis, entre outros) para continuar com a fazer os seus registos.

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