Os ratos que roem a bandeira de Amarildo Rungo

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Foto: Edson Artur

Como artista plástico, Amarildo Rungo tem o papel assumido de comunicador, usa as habilidades e meios disponíveis para expor preocupações, desejos e sentimentos, procurando acender debates em torno de temas actuais do meio em que está inserido.

No seu mais recente mural de pintura – feito na Machava Socimol, Província de Maputo, com o título “Que ratos são esses que roem a minha Bandeira?” Amarildo Rungo questiona as incidências à volta do afamado Caso das Dívidas ora em julgamento no país. 

Na obra, o artista plástico procurando partilhar o seu posicionamento a respeito das consequências relacionadas ao fenómeno ora em julgamento. 

É um trabalho revestido de metáforas, de onde se pode extrair o sentimento de revolta do seu autor face à situação actual do país. Em “Que ratos são esses que roem a minha Bandeira?”, Amarildo Rungo junta os fragmentos das suas vivências, em relação ao fenómeno das Dívidas, e convida a comunidade a debater a questão, por meio da arte.

No mural, está representado um gato raivoso e de corpo coberto por um manto preto, empunhando um martelo – símbolo de poder – a espantar um bando de ratos famintos reunido para roer a bandeira nacional e, ao mesmo tempo, derrubar os alicerces da nação moçambicana. 

Este jogo do “gato e rato” tem na figura do gato a força que, apesar de agir de maneira remediativa, é capaz de controlar o caos provocado pelos ratos durante as suas sucessivas investidas para satisfazer interesses individuais e, com isso, afundar o país na pobreza extrema.

O facto de os roedores, de corpo laranja, abocanharem todas as cores da bandeira, desde o verde (esperança), amarelo (riqueza), branco (paz), vermelho (sangue derramado) e o preto (continente africano), é outro aspecto que chama a atenção na obra. Desta forma, o artista demonstra a maneira desenfreada como os principais valores defendidos pelos moçambicanos foram aniquilados, em meio a toda esta azáfama.

O artista revelou, ao Mbenga, que a obra é, na verdade, um estímulo à análise aprofundada do assunto das Dívidas, evitando maldizer os envolvidos.

“Não pretendo ofender a ninguém, nem desvalorizar o meu Moçambique. Quero mostrar que me dói ver a posição na qual o nosso país está por causa das dívidas. Dói-me o coração e enche-me de vergonha ver o meu país nesta situação”, avançou.

Para além da covid-19, do terrorismo e dos ciclones, continua Amarildo Rungo, estamos a viver uma outra situação difícil, que tem a ver com a vida económica, numa sociedade onde não se vive sem dinheiro.

A obra faz parte do “Arte no meu bairro”, iniciativa de produção de murais de pintura no bairro Machava Socimol, levado a cabo por Amarildo Rungo, com objectivo de explorar a vertente comunicativa da arte a nível  comunitário.

Desde a sua implementação, o projecto já concebeu diversas obras alinhadas na ideia de enaltecer o papel das artes como um veículo de comunicação.

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