Sónia Sultuane mostra “O LUGAR DAS ILHAS” em livro

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Com “O lugar das ilhas”, livro de poemas, Sónia Sultuane celebra 20 anos de publicação literária. A obra, que sai sob a chancela da Fundação Fernando Leite Couto (FFLC), será lançada na próxima quinta-feira, dia 4 de Novembro.

Nataniel Ngomane, professor de literatura, fará a apresentação do novo livro da autora, na cerimónia que iniciará às 18.00 horas nas instalações da FFLC. Iracema de Sousa, declamadora, fará a leitura de alguns poemas.   

Nesta celebração dos “seus vinte anos de carreira, Sónia Sultuane nos convida para mais uma ousada viagem promovida pela poesia e pela movência – para nós, mobilidade – das palavras [no] seu quinto livro de poesias, intitulado O lugar das ilhas”, lê-se no extenso prefácio assinado por Sávio Roberto Fonseca de Freitas, professor da Universidade Federal da Paraíba, no Brasil. A coletânea “O lugar das ilhas” é composta por oitenta e quatro poemas subdivididos em cinco secções, a saber: Água, Vozes, Feitiços, Brisa da Alma e Palavras.

O prefaciador entende que “fazer nascer uma ilha imaginária é uma forma de também mostrar a maturidade poética, as ilhas são vulcões adormecidos que se formam por meio dos magmas em contato com as águas do mar”.

Terra, fogo, água e ar, prossegue Sávio Roberto Fonseca de Freitas, são os elementos que circundam esta transformação geológica que se amplifica pela adesão de um quinto elemento: a palavra poética.

“Iniciando o ciclo da Água e mantendo a tradição de deixar chaves de interpretação em poemas homônimos, a voz poética de Sónia Sultuane, tal como uma sereia do Índico, enfeitiça seu leitor com o canto da palavra”, descreve o prefaciador.

Com a repetição dos versos, exemplifica o professor brasileiro, “Parecemos tantas coisas, / mas poucas coisas somos”, o canto se apresenta como um mantra de sedução movimentado pelo balanço das águas que beijam a margem de terra firme em que se encontra um leitor-náufrago a embarcar nas tantas descobertas que as ilhas podem oferecer.

“A repetição destes versos também denota o olhar circular de descoberta de território ainda desconhecido”, acrescenta o prefaciador.

Partindo da tradição filosófica e literária da Ilha, “O lugar das ilhas” pode também apontar para as utopias – a terra do nenhures – cujas primeiras se concretizavam em ilhas, esse território distante e livre da contaminação mundana do continente. Pode estar a sugerir um outro lugar que não este. 

Sónia Sultuane nasceu em Maputo, aos 4 de Março de 1971. É poeta e artista plástica autodidacta. Como escritora tem várias obras publicadas, com destaque para a sua última publicação em 2021, o livro “Walking Words” – palavras que andam, um pensamento artístico dedicado às palavras.

Tem ainda quatro livros de poesia: “Roda das encarnações”, “No colo da lua”, “Imaginar o poetizado” e “Sonhos”. Publicou ainda dois contos infanto-juvenis, “Celeste, a boneca com olhos cor de esperança” e “A lua de n´weti”. Faz parte das antologias publicadas pelo CEMD Edições, Lisboa: “Antologia Universal Lusófona”, “Rio dos Bons Sinais”, “Zalala”, e ainda da Antologia “Silêncios que cantamos” poesia moçambicana.

Esta também presente na Antologia “Poesia sempre”, publicada pelo Ministério da Cultura do Brasil, e ainda na Antologia moçambicana “Nunca mais é sábado”, da autoria do escritor Nelson Saúte, publicada pela Dom Quixote, em Portugal. Sónia Sultuane foi homenageada no Congresso da Afrolic 2019, pela divulgação da sua obra no Brasil.

A poeta foi agraciada com o Prémio Femina 2017 – Mérito nas Letras: Literatura – Poesia em Portugal. Importa realçar que o Prémio Femina é destinado às notáveis mulheres portuguesas e da Lusofonia, oriundas de Portugal, dos países de expressão portuguesa, das Comunidades Portuguesas e Lusófonas e Luso-descendentes que se tenham distinguido com mérito ao nível profissional, cultural e humanitário pelo mundo, pelo conhecimento e pelo seu relacionamento com outras culturas.

Foi também distinguida pelo seu talento artístico como “Escritora do ano de 2014”, pelo seu papel social na valorização das mulheres, no Festival Internacional de Poesia “Mujeres Poetas Internacional”, organizado pelo Círculo dos Escritores Moçambicanos na Diáspora.

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É licenciado em Jornalismo, pela ESJ. Tem interesse de pesquisa no campo das artes, identidade e cultura, tendo já publicado no país e em Portugal os artigos “Ingredientes do cocktail de uma revolução estética” e “José Craveirinha e o Renascimento Negro de Harlem”. É membro da plataforma Mbenga Artes e Reflexões, desde 2014, foi jornalista na página cultural do Jornal Notícias (2016-2020) e um dos apresentadores do programa Conversas ao Meio Dia, docente de Jornalismo. Durante a formação foi monitor do Msc Isaías Fuel nas cadeiras de Jornalismo Especializado e Teorias da Comunicação. Na adolescência fez rádio, tendo sido apresentador do programa Mundo Sem Segredos, no Emissor Provincial da Rádio Moçambique de Inhambane. Fez um estágio na secção de cultura da RTP em Lisboa sob coordenação de Teresa Nicolau. Além de matérias jornalísticas, tem assinado crónicas, crítica literária, alguma dispersa de cinema e música. Escreve contos. E actualmente, é Gestor de Comunicação da Fundação Fernando Leite Couto.

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