Estreia espectáculo “Chovem Amores na Rua do Matador” de Mia e Agualusa

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A Fundação Fernando Leite Couto (FFLC) em co-produção com a Direção de Cultura da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), estreia, no dia 11 de Novembro, às 18.00 horas, a peça de teatro “Chovem Amores na Rua do Matador”, no Centro Cultural Universitário da UEM. A temporada estará aberta ao público nos dias 12/13, 19 e 26/27 de Novembro.

O espectáculo resulta da adaptação do escritor moçambicano Mia Couto do conto com o mesmo título assinado por ele e pelo escritor angolano José Eduardo Agualusa, no livro “Terrorista Elegante”. A encenação foi feita por Maria Clotilde e por Vitor Gonçalves. “Chovem Amores na Rua do Matador” tem um elenco composto por estudantes e docentes da Escola de Comunicação e Arte da Universidade Eduardo Mondlane, nomeadamente Angelina Chavango, Horácio Guiamba, Joana Mbalango, Josefina Massango e Violeta Mbilane. Coube a Évaro Abreu fazer o cenário, à Sara Machado – os figurinos, a Ademar Chauque – a coreografia. A música é de Shigeru Umebayashi, a sonoplastia está a ser feita por Pedro Pinto e a luz por Quito Tembe. Clotilde Guirrugo e Pablo Ribeiro estão na Direcção de produção.

O enredo retrata a estória de Baltazar Fortuna, que depois de longos anos de uma vida penosa e amargurada, volta a Xigovia, com planos de matar as três mulheres com quem se relacionou no passado. Vai na crença de que elas sejam a fonte de todos os azares que lhe perseguem.

Mia Couto e José Eduardo Agualusa, reflectem neste conto sobre o conflito entre um Moçambique periurbano, que hesita entre um lastro de tradições e práticas ancestrais cristalizadas nas mentalidades masculinas dominantes; e um novo país, de demografia galopante, prenhe de jovens que, a cada dia, se revêm menos nas estruturas culturais herdadas e nas práticas sociais que elas impõem.

O conflito entre Baltazar Fortuna e as suas mulheres – Mariana Chubichuba, Judite Malimali e Ermelinda Feitinha – leva, inevitavelmente, à morte de um desequilíbrio social onde o lugar que cabe às mulheres e o dos homens é vigorosamente questionado e resolvido em cada opção, em cada atitude, em cada gesto do presente.

Esta peça de teatro foi criada para ser apresentada na segunda edição do Festival Gala Gala, em 2021, em formato de vídeo. A apresentação do dia 11 será a primeira apresentação presencial desta peça, sendo, também, a estreia para uma temporada presencial que, havendo patrocínio, poderá estender-se a outras províncias moçambicanas.

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É licenciado em Jornalismo, pela ESJ. Tem interesse de pesquisa no campo das artes, identidade e cultura, tendo já publicado no país e em Portugal os artigos “Ingredientes do cocktail de uma revolução estética” e “José Craveirinha e o Renascimento Negro de Harlem”. É membro da plataforma Mbenga Artes e Reflexões, desde 2014, foi jornalista na página cultural do Jornal Notícias (2016-2020) e um dos apresentadores do programa Conversas ao Meio Dia, docente de Jornalismo. Durante a formação foi monitor do Msc Isaías Fuel nas cadeiras de Jornalismo Especializado e Teorias da Comunicação. Na adolescência fez rádio, tendo sido apresentador do programa Mundo Sem Segredos, no Emissor Provincial da Rádio Moçambique de Inhambane. Fez um estágio na secção de cultura da RTP em Lisboa sob coordenação de Teresa Nicolau. Além de matérias jornalísticas, tem assinado crónicas, crítica literária, alguma dispersa de cinema e música. Escreve contos. E actualmente, é Gestor de Comunicação da Fundação Fernando Leite Couto.

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