O outro lado da história “No Verso da Cicatriz” de Bento Baloi

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Francisco Noa ao microfone ao lado de Bento Baloi. Fotografia de Júlio Marcos

Uma mescla do amor e acontecimentos sociais, políticos, económicos e históricos que ocorreram em Moçambique, entre 1974 e 1992, dão corpo ao romance “No Verso da Cicatriz”, de Bento Baloi, apresentado há dias na Fortaleza de Maputo, por Francisco Noa.

No livro, sob chancela da Editora Indico, Baloi revisita os principais marcos na história do país no período pós-independente, trazendo à tona o outro lado de momentos como a guerra de desestabilização e a “Operação Produção”, por exemplo.

O escritor, que foi jornalista, procura dar vida às nuances não contadas, dando voz à personagens que trazem outras versões do conflito bem como outros eventos marginalizados ou ainda cobertos da luz da memória colectiva.

Aborda, também, problemas recentes, como o ciclone Idai, os ataques terroristas no norte e o processo de reconciliação política em Moçambique para mostrar a importância da visita ao passado e rebuscar as experiências (erros e acertos), para melhor perspectivar  futuro.

Para o ensaísta e crítico literário, Francisco Noa, com a sua mais recente obra “No Verso da Cicatriz”, Bento Baloi mostra-se um escritor extremamente versátil, na medida em que “há aspectos de maturidade e modernidade de escrita, ao mesmo tempo. É muito presente a pluralidade de narradores, géneros e uma grande preocupação com detalhes”.

Na sua nova proposta, acrescenta, Baloi conserva, na sua escrita, a componente jornalística, o que lhe permite fundamentar as referências que apresenta.

“Ele foi mexer com aspectos de uma época extremamente complicada, que acredito que vão provocar alguma perturbação, tendo em conta o contexto actual”, observou, e comentou que remexer na memória é um exercício necessário e fundamental para nossa sobrevivência e projecto de país.

No entender de Noa, “há, claramente, um posicionamento crítico, sobretudo, em relação ao manto de silêncio face à realidade. Não toma necessariamente partido”, finalizou.

Outra questão observada por Francisco Noa, em relação ao “No Verso da Cicatriz”, é a maneira como Bento Baloi narra os factos históricos.

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