Reabertos, mas sem condições de trabalho

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Com a redução acentuada do número de óbitos, bem como o de novas infecções pela Covid-19, o Governo anunciou o fim da terceira vaga da pandemia, no país. Este facto reacendeu as esperanças para um possível relaxamento das medidas preventivas da Covid, vigentes no âmbito do Estado de Calamidade Pública.

Neste contexto, o Presidente da República, Filipe Nyusi, anunciou, há dias, na sua Comunicação à Nação, a partir de Pemba, a reabertura, para o público, das salas de teatro, cinemas e dos Centros Culturais, nas principais capitais provinciais do país, regiões mais afetadas pelo vírus.

Foi uma medida acolhida com euforia pelo sector das artes e cultura, sobretudo das disciplinas performativas, como é o caso do Teatro. Por envolver contacto, no mesmo espaço, entre os artistas e o público, esta forma de expressão viveu um período de estagnação, com os sucessivos apertos e alívios das medidas anti pandemia.

O actor e professor universitário, Dadivo José, recebeu, com entusiasmo, a notícia da reabertura das salas de teatro, em todo o país. Ao “Mbenga”, Dadivo explicou que a nova medida significa que os fazedores de Teatro voltam as suas actividades, mas recorda que a Covid-19 só veio piorar as dificuldades antigas.

“Estamos felizes porque, finalmente, podemos fazer alguma coisa, mas não acho que estejamos preparados para fazer algo”, disse, a descrever que o presente momento é de recuperação dos danos causados pelos quase dois anos em que as salas estiveram encerradas.

“É um bocado complicado, para nós. Eu não sei se fico feliz, já que a terceira vaga veio numa altura em que algumas produções já tinham datas marcadas para estrear. Vamos voltar sem saber se vem aí uma quarta vaga”, assumiu.

Dadivo José

Uma coisa, prossegue, é a abertura anunciada pelo Presidente da República para voltar a trabalhar e a outra é criar condições para tal.

Dadivo acredita que haverá, nos primeiros espectáculos, algum“receio dos espectadores. E, depois, um outro inconveniente é o Protocolo de Saúde para a realização de espectáculos que exige muito mais do que se pode ganhar com a venda de bilhetes”, clarificou, acrescentando que “os requisitos necessários para a produção dos eventos são descontextualizados, porque as autoridades não percebem as reais dificuldades que a classe artística tem”.

Para superar as dificuldades resultantes das paragens, Dadivo acredita que serão necessárias parcerias com o sector privado, de modo que se investa mais no sector, para que o teatro e as artes, em geral, sejam vistas com um negócio.

“Só assim, poderemos ter uma esponja para, quando existirem situações com estas, de queda, os efeitos não serem nefastos, finalizou.

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