Noémia de Sousa e María Remédios de Valle inspiram prémio literário

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Em meio às tensões vividas na Argentina, durante as invasões Britânicas ocorridas no princípio do Século XIX, uma mulher de descendência africana notabilizou-se pelo trabalho incansável na assistência médica aos combatentes pela defesa em Buenos Aires.

María Remédios Del Valle ou, simplesmente, “Madre de la Patria” (Mãe da pátria, traduzindo do espanhol para português) foi uma militar e enfermeira afro-argentina que participou da guerra de libertação do seu país, lutando pela reposição das energias dos soldados feridos durante os conflitos e, também, pela sua presença activa nas frentes de combate.

É uma mulher descrita e celebrada na Argentina pela sua bravura e alto sentido de pátria. Pegou em armas e seguiu viagem rumo ao sonho de libertar o seu país, tendo sido condecorada capitã do exército, pelos seus feitos durante a guerra.

Perde a vida aos 80 anos, aos 8 de Novembro de 1847. Na Argentina, comemora-se, desde 2013, a data da sua morte como o Dia Nacional dos Afro-Argentinos e da Cultura Africana.

Entre a madeira e o zinco da Mafalala, Noémia de Sousa libertava-se do desgosto e da revolta que nutria pelas injustiças sociais a que assistia em Moçambique, durante o período colonial, concretamente a partir da década de 40.

São sentimentos transformados em poemas que, na mesma altura, tornaram-se símbolos nacionalistas africanos, como “Let my people go”, um texto no qual a poeta, jornalista, tradutora e militante política expressa a sua angústia face a miséria e às péssimas condições a que o povo negro era submetido.

Os seus textos de teor revolucionário e libertário renderam-lhe o título de “Mãe dos Poetas moçambicanos”.

Noémia de Sousa teve uma vida marcada por perseguições políticas, por conta do seu espírito de combate e foi exilada na Europa, de onde continuou a desempenhar o seu papel de despertar a mente do Homem Negro para a sua libertação.

María Remédios Del Valle e Noémia de Sousa são duas mulheres de épocas e contextos diferentes, entretanto têm em comum o facto de terem seu contributo na luta pelo bem estar comum.

Partindo dos exemplos da vida e obra de María Remédios Del Valle e Noémia de Sousa, a Vice Versa Ideias – em parceira com a Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) e apoio da Embaixada da Argentina em Maputo – realiza o Concurso Literário “Duas Mulheres, Uma Luta”.

A iniciativa tem como objectivo, além de homenagear as duas mulheres guerreiras, discutir questões ligadas à igualdade de género, empoderamento da mulher e a violência baseada no género. Para participar do concurso, os candidatos devem ser estudantes, com idades compreendidas entre os 15 e os 25 anos, e submeter o máximo de dois poemas, inéditos, escritos na língua portuguesa, em poesia ou prosa poética, ao endereço electrónico [email protected]
Lê-se no regulamento do concurso que “os concorrentes das escolas secundárias, na impossibilidade de acesso à internet, podem entregar seus trabalhos nas direções das respectivas instituições de ensino”.
O corpo de júri será presidido por Paulina Chiziane, escritora e cantora moçambicana que dispensa qualquer tipo de apresentações.

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Encontra no jornalismo um espaço fértil para alimentar o gosto de narrar factos e partilhar experiências do dia a dia. Estudante finalista pela ECA-UEM, vê na leitura e escrita ferramentas indispensáveis para contar hi(e)stórias, exteriorizar-se e conduzir o mundo pelo caminho da luz e da boa convivência entre pessoas. Também tem formação técnica em Jornalismo e Multimédia e colabora com a plataforma Mbenga desde 2019. Tem, ainda, textos publicados em diversos semanários nacionais.

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