Mbié, Gran Mah e TRZK no IOMMA 2021

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Gran Mah

Albino Mbie, Gran Mah e TRZK são os músicos moçambicanos que irão se apresentar no Mercado de Música do Oceano Índico (IOMMA) deste ano, entre os dias 6 e 9 de Dezembro, na Ilha Reunião.

Os três projectos distintos, tanto a nível estético, como de abordagem, terão a possibilidade de mostrar o seu trabalho a quatrocentos delegados, entre os quais jornalistas, produtores, programadores entre outros intervenientes no sector, vindos de todo o mundo para o mercado musical mais importante da região do Oceano Índico.

Com o apoio da União Europeia e da Região da Reunião, “a ambição da IOMMa é ajudar a indústria musical do Oceano Índico a continuar sua a profissionalização, bem como incentivar o networking por meio de uma ampla gama de reuniões de negócios que reúnem actores internacionais”, lê-se no seu portal do festival.

Para GranMah, disse Luy guitarra da banda, vai ser um momento muito especial voltar a tocar na Ilha Reunião, “primeiro porque será a primeira actuação ao vivo com público desde o lançamento do nosso segundo álbum ‘Perfect Plan’, no Centro Cultural Franco Moçambicano, em Dezembro de 2019”.

Segundo, prosseguiu, pelo de a performance do conjunto, no festival Sakifo em 2019, ter tido um bom feedback do público e da organização.

“Este convite é também uma maneira da banda poder mostrar o seu potencial e divulgar os dois álbuns, e o mais recente single dedicado às vítimas e ao conflito em Cabo Delgado, ‘Danger Zone’”, disse Luy, em entrevista ao “Mbenga”.

Numa crónica que assinamos na sequência da exibição de GranMah no Sakifo, que testemunhamos, descrevíamos: “Gente a aplaudir até ao fim. A banda foi, o público ficou a gritar: une chanson de plus”.

Na edição de 2019, presenciamos, igualmente, as performances de Continuadores e Deltino Guerreiro, que foram aplaudidos e bem recebidos pelas audiências. Os Continuadores, não fosse a pandemia, na sequência teriam feito apresentações em vários cantos do mundo.

Os Continuadores é composto de Ailton Matavela e do Tiago Correia Paulo quem toca com o sul africano Bongeziwe. O Tiago trabalhou no último álbum da Nathalie Natiembé. Eles fazem uma homenagem à independência de Moçambique.

Deltino Guerreiro teve uma exibição na qual introduziu e explorou mais a precursão do Tufo – algo próximo do Maloya – através da intervenção de um antigo percussionista da emblemática banda Eyuphuro de Zena Bacar. 

Para quem o tinha visto em 2017, no mesmo palco, o autor de Eparaka, “cresceu muito, está mais seguro no palco e consegue contagiar as pessoas mesmo sem entender a sua língua”, comentava-se na plateia.

Em 2018 o músico selecionado foi Isau Meneses e em 2017 o Deltino Guerreiro. Em 2019, 30 bandas da área do Oceano Índico se apresentaram em showcases de 30 minutos. O acesso aos shows é gratuito e aberto ao público em geral. A formação artística é representativa de todos os gêneros musicais e cores do Oceano Índico.

Outra componente do IOMMA são as conferências / workshops, nas quais um painel de profissionais discute questões comuns da indústria musical na área e oferece soluções para melhorar as condições para os artistas do Oceano Índico. Paulo Chibanga, director da Khuzula Produções, responsável pelo Festival Azgo, foi um dos intervenientes em 2019.

Chibanga integrava uma comitiva constituída por Ivan Laranjeira, director da Associação Iverca, que produz o Festival Mafalala, Isabel Macie, Vereadora de Cultura e Turismo do Município de Maputo, e Marc Brébant, do Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM). A participação deste grupo resultava de uma parceria entre a Khuzula, Othama, CCFM e o IOMMA, no âmbito do circuito IGODA, que é responsável pelos maiores festivais de música da região Austral de África.

Nesse contexto, o “Azgo” recebe músicos para espectáculos e os respectivos agentes que, alguns, participam nos debates do “Azgo Dialogar”, vindos das Ilhas Reunião, pelas mãos do IOMMA há oito anos.

A ida da vereadora Isabel Macie, explicou Paulo Chibanga na altura, tinha como objectivo a partilha de experiências e conhecimentos, mas também se inseria no plano de estabelecimento de parcerias municipais entre Maputo e Saint-Denis (capital) e Saint Pierre, na área das artes e cultura.

A parceria registou avanços, tendo uma comitiva do município de Saint Pierre vindo a Maputo para, em conjunto com os homólogos da capital moçambicana, traçarem pontos e os termos de referência para um memorando. Na Ilha Reunião, este grupo foi recebido, no seu gabinete, pelo então presidente do município de Saint Pierre.

Na ocasião, Paulo Chibanga, disse que o IOMMA esta é uma das plataformas, que permite conhecer bandas das Ilhas Reunião que, caso agradem, são convidados para o “Azgo”. “Foi neste espaço, que conheci a banda Lindingo, que foi uma das sensações da nona edição do festival, em Maputo”, disse.

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É licenciado em Jornalismo, pela ESJ. Tem interesse de pesquisa no campo das artes, identidade e cultura, tendo já publicado no país e em Portugal os artigos “Ingredientes do cocktail de uma revolução estética” e “José Craveirinha e o Renascimento Negro de Harlem”. É membro da plataforma Mbenga Artes e Reflexões, desde 2014, foi jornalista na página cultural do Jornal Notícias (2016-2020) e um dos apresentadores do programa Conversas ao Meio Dia, docente de Jornalismo. Durante a formação foi monitor do Msc Isaías Fuel nas cadeiras de Jornalismo Especializado e Teorias da Comunicação. Na adolescência fez rádio, tendo sido apresentador do programa Mundo Sem Segredos, no Emissor Provincial da Rádio Moçambique de Inhambane. Fez um estágio na secção de cultura da RTP em Lisboa sob coordenação de Teresa Nicolau. Além de matérias jornalísticas, tem assinado crónicas, crítica literária, alguma dispersa de cinema e música. Escreve contos. E actualmente, é Gestor de Comunicação da Fundação Fernando Leite Couto.

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