Debaixo do Sol reabre FFLC

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O trabalho nas suas diferentes facetas está reflectido na exposição individual DEBAIXO DO SOL, do artista visual moçambicano, MÁRIO TIQUE a abrir hoje na Galeria da Fundação Fernando Leite Couto. Estará patente até 30 de maio deste ano.

DEBAIXO DO SOL poderá ser vista presencialmente, obedecendo as medidas de prevenção contra a pandemia. E online, no site da galeria.

Há, entre outras, duas formas de ver o sol. A primeira pode ser do astro rei enquanto fonte de luz que nos possibilita ver as cores e os corpos que configuram o mundo. A segunda, compreende-a como fonte de castigo, protótipo do inferno, um sol que queima as pessoas.

Mário Tique, propositadamente, quer colocar o sol nas duas dimensões de compreensão, pois tanto o bem quanto o mal acontecem debaixo do sol. É por baixo do sol onde a vida humana se desenrola em ciclos repetitivos: as crises, as guerras, as desigualdades sociais, a fome, as flores, os milagres e outras pequenas alegrias.

Vemos nesta exposição, o olhar de um artista que acredita que juntos construímos um mundo melhor. “Trago temas de pessoas unidas, a trabalhar para ultrapassar as diferenças que vivemos”, disse Mário Tique, no vídeo de apresentação da exposição.

Yolanda Couto, curadora da mostra no texto de apresentação, observa que o artista nos lembra que, seja qual for a profissão escolhida, a importância do trabalho, vai muito além da satisfação das necessidades básicas.

Mário Tique, descreve a curadora, surpreende quer pela qualidade técnica, quer também pela forma como trata e explora o tema da exposição.

A “performance” de Tique, prossegue Yolanda Couto, decorre numa simultaneidade de núcleos que parecem reproduzir a própria intensidade da luz do Sol.

O artista utiliza linhas geométricas para reduzir a anatomia humana e os objetos que a compõem, o que a curadoria interpreta como abandono de um ponto de vista simples e das proporções normais.

Numa inspiração baseada no Cubismo, na Pop-Art e Arte africana, contudo menos monocromático “Debaixo do Sol” fala-nos de anseios e esforços, resiliência e força de vontade, para garantir um mundo melhor às gerações futuras. 

Tal como as imagens de Mário Tique, que só fazem quando os pedaços estão ligados entre si, o Mundo é hoje um conjunto de diversidades únicas.

Biografia

Mário Henrique Tique, é um artista plástico e designer gráfico moçambicano, oriundo de uma família de talentos em artes visuais.

Na escola primaria e secundaria, entre 1974 e 1980, participou e ganhou diversos concursos de desenho e pintura. Inspirado em obras de artistas estrangeiros e nacionais, começa a pintar em guache e aguarela, com 15 anos.

Em 1989, recebe formação em pintura abstrato-figurativa, com artistas ucranianos, e ganha o seu primeiro concurso, em Moçambique, dirigido aos “jovens talentos em artes plásticas”.

Em 1992 ganhou o premio de pintura do Banco Fomento Exterior, português, num concurso internacional com artistas de mais de 30 países. O prémio deu-lhe a oportunidade de estagiar na cooperativa Árvore do Porto, Portugal, trocando experiências e novas técnicas com artistas portugueses e latino americanos.

Em 1993/94 participou, com o moçambicano Naguib, em exposições de pintura no Porto e em Lisboa (Portugal), tendo tido oportunidade de aprender outras técnicas com Chichorro no seu atelier.

Em 1994, recebeu uma bolsa para estudar design gráfico em Paris, onde desenvolveu a sua aprendizagem em artes plásticas, conheceu outros artistas de várias partes do Mundo e visitou museus conceituados. Ainda em França, participou em exposições de pintura em Paris, Lyon e Marsseille.

A partir de 1995 integrou diversas colectivas de pintura, dentro e fora do país, tendo ganho, em 2000, duas menções honrosas nas Bienais da TDM – Telecomunicações de Moçambique.

Em 2009, Mário assume a realização da sua primeira exposição individual no Instituto Camões em Maputo. Em 2021, depois de um longo período de interregno, Mário Tique regressa com uma nova individual “Debaixo do Sol” em exibição na Fundação FLC.

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