Algumas mulheres das Artes Plásticas

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Desenho de Joaneth
Desenho de Joaneth

Semanalmente, através do programa Conversa ao meio dia, produzido pela Plataforma Mbenga Artes e Reflexões e transmitida pela Rádio Cidade, contamos alguns episódios da História das Artes Plásticas moçambicanas, na rubrica Restauro.

Concebemos este espaço no nosso portal para a partilha, em forma escrita, do conteúdo breve, transmitido na rubrica supracitada.

Ainda é escassa a informação sobre a História da arte moçambicana. A falta de pesquisa é uma grande fragilidade desta e outras disciplinas artísticas, exceptuando (com algumas reservas) a literatura. Entretanto há nomes que estão registados nos poucos estudos existentes, entre os quais de mulheres.

Estando a fechar o mês da Mulher Moçambicana, recordamos algumas que deram o seu contributo na construção desse edifício ainda em obras, que é o das artes plásticas no país.

Sem dar grandes detalhes sobre muitas delas, António Sopa, no artigo “Artes visuais em Moçambique – Um Percurso de Cem Anos”, integrado no catálogo “Estados de Alma das Artes em Moçambique”, encomendado pelo Ministério da Cultura e Turismo, em 2017, resgata nomes desconhecidos da larga maioria.

Com a abertura do Núcleo de Arte em 1936 em Maputo e outros espaços, como, por exemplo o Centro de Cultura e Arte da Beira, a partir dos anos 50 e 60, os artistas moçambicanos ou portugueses residentes começaram a realizar as suas primeiras exposições.

Desse período, Sopa refere-se a Ana Maria (n. 1933), que realizou a sua primeira exposição em 1956; Dana Michaelles (1933) que mostrou seu trabalho numa galeria em 1961; Teresa Rosa D’Oliveira (1945) que expôs pela primeira vez em 1963; Maria da Luz (n.1928) que expôs pela primeira vez em 1965; para além de Noémia Delgado e Lara, sobre as quais há ainda menos dados.

Se a Malangatana é atribuída a paternidade das artes plásticas modernas moçambicanas, é a Bertina Lopes que nasceu em 1924 e faleceu em 2012, a quem se atribui a maternidade. A pintora e escultora, filha de pai português e mãe moçambicana realizou a sua primeira exposição em 1951, tendo influenciado Malangatana, como o próprio reconheceu.

Conforme a historiadora Alda Costa, no livro “Arte e Artistas em Moçambique Diferentes Gerações e Modernidades”, os retratos, as paisagens, as naturezas mortas dos primeiros anos de Bertina Lopes, deram lugar a novas propostas, fruto do seu espírito de procura permanente, da sua vontade de intervenção e transformação social.

Bertina Lopes teve o privilégio de estudar em Portugal. Concluiu os cursos de desenhador litografo e de habilitações às Belas Artes, na Escola de Belas Artes decorativas. Além de ter frequentado um curso especial de pintura na Escola de Belas artes.

De volta ao país, a artista deu aulas de desenho artístico e pintura decorativa na Associação da Associação Africana, tornou-se membro do Núcleo de Arte, onde expôs e teve cargos de direcção até deixar Moçambique em 1963, com uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian. Foi morar para Portugal, depois Itália, em Roma, onde veio a perder a vida.

Realizou várias exposições na Itália, Portugal, Luxemburgo, Angola, Cabo Verde, Espanha, entre outros, nos quais foi aplaudida por colecionadores, apreciadores e críticos de arte.

Outra artista do mesmo período é Isabel Martins ou Zabela como era conhecida que nasceu em 1950, que expos na Galeria e Salão da Coop, em 1970, na cidade de Maputo, então Lourenço Marques.

Na década 80 surgiram outras mulheres, entre as quais, Bela Rocha, como assina            Isabel Rocha de Sousa, que realizou a sua primeira individual em 1984. Isabel Martins, que expôs em 1987; Marizava, de nome Maria Rita Saldanha Vaz, que expôs igualmente em 1987. Entre outras.

Dez anos mais tarde, Reinata Sadimba, apesar de ter nascido em 1945 e se ter notabilizado desde 1975, realiza a sua primeira individual em 1992. A ceramista que iniciou uma transformação profunda na sua cerâmica de base Makonde, sua etnia de origem, torna-se conhecida mundialmente pelas formas ” estranhas e fantásticas”.

De acordo com a biografia no portal da Associação Kulungwana, Reinata Sadimba é considerada uma das artistas mulheres mais importantes do Continente africano. A artista recebeu vários prémios e fez exposições em vários países, como Bélgica, Suíça, Portugal, Dinamarca, Itália, África do Sul e Tanzânia.

Os seus trabalhos estão representados em várias instituições, como o Museu Nacional de Arte, Maputo e o Museu de Etnologia de Lisboa. Fazem parte da Colecção de Arte Moderna de Culturgest e de numerosas colecções privadas em todo o mundo.

São igualmente relações dos anos 90, a Berry – Berenice Josephine Bickle, Carmen Muianga.

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É licenciado em Jornalismo, pela ESJ. Tem interesse de pesquisa no campo das artes, identidade e cultura, tendo já publicado no país e em Portugal os artigos “Ingredientes do cocktail de uma revolução estética” e “José Craveirinha e o Renascimento Negro de Harlem”. É membro da plataforma Mbenga Artes e Reflexões, desde 2014, foi jornalista na página cultural do Jornal Notícias (2016-2020) e um dos apresentadores do programa Conversas ao Meio Dia, docente de Jornalismo. Durante a formação foi monitor do Msc Isaías Fuel nas cadeiras de Jornalismo Especializado e Teorias da Comunicação. Na adolescência fez rádio, tendo sido apresentador do programa Mundo Sem Segredos, no Emissor Provincial da Rádio Moçambique de Inhambane. Fez um estágio na secção de cultura da RTP em Lisboa sob coordenação de Teresa Nicolau. Além de matérias jornalísticas, tem assinado crónicas, crítica literária, alguma dispersa de cinema e música. Escreve contos. E actualmente, é Gestor de Comunicação da Fundação Fernando Leite Couto.

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