Tarzan, o poliglota

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Tarzan – Johnny Weissmuller por Marcelo Neira

Por: Pedro Pereira Lopes

Havia uma semana que o Tarzan não se punha a ulular, idiota que era, pendurado nas lianas da selva africana. Para o fim do desespero da Jane, ele tinha afinal dominado os grunhidos humanos e estava deslumbrado com a possibilidade de ser poliglota. A bem da verdade, Tarzan era o único ser, diga-se, metade homem, metade primata, assim, mestiço de língua. Se não fosse idiota, teria mesmo inventado uma língua crioula para as duas espécies.

Estava então o Tarzan experimentando a língua dos homens quando descobriu a magia do trava-língua. Fazia horas de exercícios, era trava-língua na cachoeira, enquanto se lavava, era trava-língua pendurado nas lianas, em movimento, um descabido anúncio itinerante. A selva inteira estava com os nervos em fervência. Ninguém, com excepção de alguma raça de símios, via espectáculo na mania poliglota:

Três tigres tristes comiam em um prato de trigo. E punha-se a rir: Tigres não comem trigo! Continuava. O rato roeu a roupa do rei de Roma. E ria outra vez. O rei vai nu! Gargalhadas faziam eco na selva. Que sabor terá as vestimentas do rei, perguntava-se.

E os chimpanzés, que de alguma forma o entendiam, faziam a festa da risada, entre caretas e piruetas.

Outra vez, Tarzan. Outra vez.

Mas o homem de tronco nu estava farto daquelas rimas e resolveu improvisar:

Orangotango que aprendeu inglês come mango. Orangotango se fosse argentino dançava tango. Orangotango brasileiro só pensa em rango. Orangotango congolês é um frango… e CRAU! Tarzan estava estatelado no chão, inconsciente.

A Jane bufava pelas narinas:

Só um pouquinho de paz, Tarzan, só um pouquinho, pediu ela.

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