A Metamorfose de Isabel Novella

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Nos concertos posteriores ao lançamento de “Isabel Novella” (2012), a compositora e intérprete moçambicana traçou um padrão incomum no nosso cenário ao, permanentemente, renovar as suas músicas nas aparições ao vivo e shows televisivos. Sempre houve uma preocupação de surpreender as audiências com novos acordes, progressões e trabalhos vocais em cada performance. Há-de ser este um caminho para quem pretende fazer desse encontro com o seu público uma experiência singular.

A opção de Isabel Novella era um dos indicativos de que o segundo álbum não haveria de ser no mesmo rumo que o primeiro. E, em certa medida, não foi.

“Metamorfose”, lançado no ano passado, nas 12 faixas continua o percurso neo soul, mas incorpora outras sonoridades, mais próxima da música ligeira moçambicana; continua a falar do amor (tanto entre duas pessoas assim como o da Humanidade, como um todo), na dança, na esperança. E introduz uma dimensão mais pessoal (deste fingimento que é a arte) nos temas “Mama”, dedicada a mãe e “For my Father”, que é um tributo póstumo ao pai.

Isabel Novella, mais madura neste álbum, explorou acordes e sonoridades mais próximas da audiência moçambicana. “Meu mundo”, faixa que abre a compilação, incorpora o folclore nacional cujas marcas mais evidentes estão na percussão. Note-se que a percussão na música de Isabel Novella não é de todo novo. Recordemo-nos que o percussionista líder do projecto Açúcar Castanho Experiment, Samito Tembe, é uma presença permanente das performances ao vivo no país e em festivais internacionais.

Samito Tembe e Isabel Novella no centro e no palco a banda Gran Mah

Nalguns casos, os singles que saem no intervalo entre um e outro álbum podem ser indicativos do que está por vir. “Ntsumi” (2015), entretanto, interpretado por Isabel Novella registou, numa colaboração com Albino Mbie não podia ser mais enganador. A música minimalista cuja estética recorda “Munghana Wanga”, do álbum “Mafo” do produtor, compositor e intérprete Mbie é uma música de revolta contra os sequestros de que estavam a ser vítimas os indivíduos portadores de albinismo. Meses antes do lançamento de “Ntsumi” na região norte do país tinha registado vários sequestros, supostamente para alimentar um mercado que cruzava a fronteira com a Tanzânia. Em “Metamorfose” encontramos alguns vestígios de “Ntsumi” em “I not a colour”. Os back vocals que a vimos fazer em concertos no Centro Cultural Franco Moçambicano e Festival Azgo, na Mafalala, em Maputo, dão outro colorido a esta música.

Além dos cds, o álbum está disponível nas lojas digitais

Entre estas 12 faixas que preenchem 47 minutos, quando visitamos “A Night In Morocco”, numa colaboração com um dos melhores mestres do Gnawa, o marroquino Hassan Boussou, encontramos uma Isabel a propor uma imersão sensorial. A inclusão do registo de um excerto de uma canção de base tradicional marroquina tem o efeito de gerar uma experiência que vai além do embalo da voz e instrumental.

Em “Metamorfose” revelam-se outras referências de Isabel Novella além do afro jazz, jazz, soul muic. Há, por exemplo, uma vibe raggae em “Let’s dance”.

Isabel Novella

É uma Isabel mais aberta, a flor desabrochou. No trabalho de estreia não teve convidados. E neste colabora com o rapper Sgee integrante dos Xitiku ni Mbawula, na música “Buya u thlanga”.

O álbum teve composições que sai sob chancela da Universal teve composições de Isabel Novella, do moçambicano Sérgio António Mabjaia e do ilustres Sipho Sithole e do Sello Twala, este último é músico e produtor que trabalhou com, entre outros, Brenda Fassie.

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