Estação Oitava: BECOS

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Os becos são característica típica dos espaços auto-produzidos, estes caminhos remetem-nos a marca dos ghettos. Surgindo contra-corrente das grandes escolas do urbanismo com o seu traçado orthogonal. Os becos trazem-nos a reflexão a complexidade por detrás da construção da cidade, a dinâmica da ocupação urbana, o surgimento dos subúrbios em Maputo, as migrações voluntárias e forçadas a busca do Eldorado e a riqueza do tecido social aqui existente.
A Mafalala adoptou os becos e a “maderazinco” como sua imagem de marca. Esta simbiose é amplamente explorada pelo imaginário poético dos artistas deste torrão. O Beco é, ironicamente, sinónimo de democratização do espaço em contraponto ao espaço público saturado dos assentamentos informais e o desafio da melhoria da malha urbana. O Beco responde as necessidades de interação, vida social e identidade da comunidade.
Os becos são as artérias principais da nossa memória, guiando-nos pelo percurso viril dos “wa maluva” (empregados domésticos que se envolviam em lutas de aposta entre si) entre o Espada, no Xipamanine, e o Nchela Gode, na praia da Costa do Sol; pelas investidas nocturnas dos “mabandido”; ou ainda, pelos romances proibidos de amantes apaixonados. Numa escala difusa representam as avenidas constantes nos nossos endereços domiciliários e numa sinuosidade sem paralelo – os becos apresentam-se como verdadeiros labirintos da vida!
Perdidos nos becos aprendemos as lições da School of Hard Knocks e moldamos o nosso cáracter em ciphers improvisados nas esquinas destas vielas que rimam com os nossos sonhos e exorcizam as nossas frustrações. Cara-a-cara com a realidade numa atitude street(beco)wise – Kloro Killa, apresenta-nos o álbum Revolução Cultural inspirado nas vozes de Moçambique.
WE BE RUNNING FROM THE URB
Texto de Ivan Laranjeira

Produção Executiva: MAC | Creative Lines

Co-produção:
IBS – Indústria do Bom Som, Associação IVERCA & Museu Mafalala

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