Para o streaming funcionar: há que mudar mentes

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O desafio do streaming em Moçambique é a mudança de consciência sobre a necessidade de comprar música, que é um bem que durante anos esteve disponível grátis nos blogs e a venda na rua com piratas, considera G2.

Omúsico de R&B/Hip-Hop, produtor musical e líder da Mozik Play, a primeira aplicação de streaming moçambicana, falava no webinar “Como ganhar dinheiro através da música no mercado digital?”, organizado pela modigi – Moçambique Digital em parceria com a Plataforma Mbenga Artes e Reflexões. A sessão de conversa contou ainda com Paulo Chibanga, G2 e Stewart Sukuma.

Para vender-se música em Moçambique, esclareceu, ainda há que dar a conhecer esta nova realidade tanto ao músico assim como ao consumidor. “Se não conseguimos mudar a mentalidade de quem compra e de quem produz, nós como distribuidores estamos sozinhos no barco”, disse G2.

Os aplicativos, prosseguiu, já estão disponíveis, no entanto, falta capacidade financeira para investir em marketing, que possibilitaria dar a conhecer os serviços a mais pessoas.

Sendo mais concreto, o músico estipulou que tendo 10 milhões de meticais para investir em campanhas de massificação do Mozik Play, num intervalo de cinco a dez anos, o negócio poderá vingar.

De acordo com o desenvolvedor da plataforma, num estágio óptimo, quando a plataforma tiver um milhão de usuários facturará 500 mil meticais por dia. De modo a atingir este resultado, a MozikPlay realizou um estudo de mercado que concluiu que os desafios que os jovens enfrentam no consumo de música são: espaço no telefone, megabytes.

“Mas todos eram unânimes em afirmar que podiam pagar 50 meticais, por exemplo, por mês para ouvir música e nós [em função disso] simplificamos o aplicativo, onde a pessoa paga com saldo e vamos monitorando até as pessoas habituarem-se”, prosseguiu G2.

O músico é, igualmente, responsável pelo serviço de toques de chamada prestado por uma das redes de telefonia móvel que actua no mercado nacional. “Ficamos dois anos a criar uma de dados, uma forma de estar, sem nenhum retorno financeiro [e o resultado] é que, com o suporte da operadora que investiu na promoção, este serviço já gerou uma cadeia de valores”, disse o empresário. A distribuição de rendimentos, explicou, é um processo que gera rendimentos para uma cadeia de intervenientes que envolve a rede móvel, a empresa que disponibiliza até chegar ao músico, em função do que rendeu.

Acompanhe a conversa

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É licenciado em Jornalismo, pela ESJ. Tem interesse de pesquisa no campo das artes, identidade e cultura, tendo já publicado no país e em Portugal os artigos “Ingredientes do cocktail de uma revolução estética” e “José Craveirinha e o Renascimento Negro de Harlem”. É membro da plataforma Mbenga Artes e Reflexões, desde 2014, foi jornalista na página cultural do Jornal Notícias (2016-2020) e um dos apresentadores do programa Conversas ao Meio Dia, docente de Jornalismo. Durante a formação foi monitor do Msc Isaías Fuel nas cadeiras de Jornalismo Especializado e Teorias da Comunicação. Na adolescência fez rádio, tendo sido apresentador do programa Mundo Sem Segredos, no Emissor Provincial da Rádio Moçambique de Inhambane. Fez um estágio na secção de cultura da RTP em Lisboa sob coordenação de Teresa Nicolau. Além de matérias jornalísticas, tem assinado crónicas, crítica literária, alguma dispersa de cinema e música. Escreve contos. E actualmente, é Gestor de Comunicação da Fundação Fernando Leite Couto.

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