Não escutei nenhum latido de madrugada

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A geleira rosnava, a voz da tecnologia e os olhos do monitor do meu computador não eram inspiradores
Me vi a escrever às 4 horas da manhã para aprisionar vozes

Queria escutar os pássaros que sussurram frases de amor
Almejava ouvir os grilos a propagarem a sua nona sinfonia
Esperava escutar o silêncio que torna audível a manifestação da natureza
Com a luz apagada não vi os lagartos que ajudam o insecticida
Os mosquitos que querem ser amantes e ti perseguem até na cama
Não ouvi os gemidos da fêmea esquilo no acasalamento pela não extinção

Já ninguém ora em voz alta
Estava atento e não escutei nenhum amém ou pedido sincero
Minha cama está perto do chão, mas mesmo assim não senti a magnitude da terra
O abalo sísmico que causam os joelhos quando beijam a superfície

Onde vivo não há vadias
Não há cães e gatos no cio
São extintas as competições entre machos
Temo que a lâmpada acesa no meu quintal corte a masculinidade da fauna

Queria escrever até o galo cantar
Mas um mosquito me faz companhia
Acendo a lâmpada e percebo que a escuridão ainda habita
E os meus escritos não são tão iluminados como pensava

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