Estação Quinta – “Comoreanos”

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Escrito por Ivan Laranjeira

“Comoreanos” foi durante as décadas de 30 e 40 uma das casas de diversão nocturna mais badalada do subúrbio de Lourenço Marques. Localizado no bairro da Mafalala, na actual Rua de Goa, este cabaret era propriedade da Associação Recreativa e Beneficiente Comoreana.

Os “Mudjodjos”, como eram conhecidos os cidadãos provenientes das Ilhas Comores, emigravam para Lourenço Marques onde encontravam oportunidades de emprego no porto, hotéis e restaurantes da capital moçambicana, devido ao seu domínio da língua francesa. Tendo estes se fixado no bairro da Mafalala pela sua proximidade ao centro urbano e a imposição segregacionista da circunvalação.

Os “Comoreanos”, para a época, terão sido uma versão sofisticada dos mabanguenis (lugar de actuação informal e venda de bebida tradicional) revelando desta forma o seu carácter cosmopolita, ecléctico e multicultural. Este lugar foi, por conseguinte, uma das principais plataformas de promoção da música neo-folclórica tocando-se na época ritmos como o Samba, o Baião, o Kwela e a Marrabenta.

As noites nos “Comoreanos” celebrizaram-se pela magia dos dedos de Daíco na guitarra, pelo sapateado de Zagueta com suas impressionantes coreografias e pelo fervor inebriante das danças de Muchina – à ambos atribui-se a autoria de maior parte dos passos de Marrabenta que se dança hoje. Verdadeiras lendas da Marrabenta!!! Aliás, o nome Marrabenta provém precisamente da execução em excesso de algo: quer seja no dançar ou no rebentar de cordas do Xigogogwana (viola de lata de 5L de azeite).

Comoreanos é uma casa com um lugar incontornável na história da Marrabenta de Moçambique como seria o “Latin Quarter” para o hip-hop em New York ou a
“Long Beach” na história do hip-hop Moz.

Kloro Killa, apresenta-nos este ano o álbum Revolução Cultural inspirado neste legado histórico e cultural do bairro da Mafalala.

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