Virgília Ferrão vence “Prémio Literário 10 de Novembro”

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“CORAIS e Rosas”, de Virgília Ferrão, venceu o “Prémio Literário 10 de Novembro” (AEMO/CMCM), anunciado no último dia 15 de Novembro nos Paços do Conselho Municipal da Cidade de Maputo.

A romancista é a primeira mulher a vencer este prémio, com o seu terceiro romance, “Corais e Rosas”, inédito, mas desta vez não foi uma vitória fácil. Com 13 livros a concurso, o júri, presidido por Carlos Paradona Rufino Roque, e que integrou Marcelo Panguana e Japone Arijuane, reuniu-se duas vezes até atribuir o prémio por maioria a “Corais e Rosas”, ora contemplada dentre cinco obras finalistas, nomeadamente: “Uma Dor que Desatina”, de Edite Costa; “As Asas Decepadas”, de Ganima Gafar; “A Herança”, de Khassabwete; “Depois não Digas que Inventei Massacres em Pleno século XX”, de Telma Júlio Massango e “Outro Dia a Nuvem Evapora”, de Juan Simões, obras reveladoras de uma grande criatividade literária, que interessa acompanhar e encorajar, segundo o júri.

O júri destaca no livro de Vigília Ferrão “a apurada técnica de construção narrativa, as múltiplas dimensões sociais, que propicia, pelo domínio da linguagem, factor fundamental na criação literária, e também pela inovação estilística, que afasta esta obra do lugar comum. E sobretudo, porque esta obra chama atenção para uma literatura moçambicana, que desponta e não tardará a ocupar o seu espaço no mundo literário”.

Em declarações à nossa Redacção, por ocasião da premiação, Virgília Ferrão contou tratar-se de uma novela, que narra a história de amor e amizade, entre três pessoas do passado, que se reencontram no presente, abordando também temas como o ambiente e a preservação do património cultural. A autora fala ainda com emoção da surpresa que foi vencer este prémio, o qual é uma forma de reconhecimento e incentivo ao trabalho de escritores da sua geração.

Desde que foi instituído em 2005, o prémio, que tem hoje uma dotação financeira de 100 mil meticais, foi já atribuído a 14 autores, dos quais integram: Calane da Silva, Amin Nordine, Lucílio Manjate, Alexandre Chaúque, Aurélio Furdela, Léo Cote , entre outros.

Virgília Leonilde Tembo Ferrão nasceu a 3 de Outubro de 1986, na cidade de Maputo, Moçambique. Ingressou no curso de Direito, no Instituto Superior de Ciências e Tecnologia de Moçambique (ISCTEM), em 2004, tendo concluído o curso em Setembro de 2008. Trabalhou na empresa SAL & Caldeira Advogados, Lda., sedeada na cidade de Maputo, de 2008 a 2010, como consultora jurídica júnior.

Lançou a sua primeira obra literária intitulada “O Romeu é Xingondo e a Julieta Machangane” em 2005 e a segunda obra intitulada “O Inspector de Xindzimila” pela editora brasileira Selo Jovem, em 2016. Actualmente, trabalha para a Anadarko Moçambique Área 1 (Total), como consultora jurídica e é administradora do blog “diário de uma qawwi”.

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É licenciado em Jornalismo, pela ESJ. Tem interesse de pesquisa no campo das artes, identidade e cultura, tendo já publicado no país e em Portugal os artigos “Ingredientes do cocktail de uma revolução estética” e “José Craveirinha e o Renascimento Negro de Harlem”. É membro da plataforma Mbenga Artes e Reflexões, desde 2014, foi jornalista na página cultural do Jornal Notícias (2016-2020) e um dos apresentadores do programa Conversas ao Meio Dia, docente de Jornalismo. Durante a formação foi monitor do Msc Isaías Fuel nas cadeiras de Jornalismo Especializado e Teorias da Comunicação. Na adolescência fez rádio, tendo sido apresentador do programa Mundo Sem Segredos, no Emissor Provincial da Rádio Moçambique de Inhambane. Fez um estágio na secção de cultura da RTP em Lisboa sob coordenação de Teresa Nicolau. Além de matérias jornalísticas, tem assinado crónicas, crítica literária, alguma dispersa de cinema e música. Escreve contos. E actualmente, é Gestor de Comunicação da Fundação Fernando Leite Couto.

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