UMA NOVA UTOPIA: “Terceira Via” proposta por Ngoenha e Castiano

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OS filósofos Severino Ngoenha e José Castiano propõem uma nova utopia para a construção da moçambicanidade, no “Manifesto por uma Terceira Via”.

Lançado, há dias, o livro propõe que se olhe para a experiência, que a história nacional tem à disposição, para conceber um caminho viável para, enquanto nação, o país caminhe para o que os autores designam de viver juntos.

“Este livro cruza o pensar político e filosófico”, observou o académico Nataniel Ngomane, num exercício que considera “captar momentos cruciais da nossa história, desde a revolução aos dias que correm”.

“Por uma terceira via” é uma proposta, que sugere que o país pode recuperar a busca pela justiça social da 1.ª República – quando o país tentou ser socialista, depois da independência – e as liberdades conquistadas na 2.ª – o multipartidarismo da constituição de 1990.

A sugestão é cruzar o que há de bom nas duas anteriores possibilidades e instalar outra que esteja a servir a todos, sem exclusão e dando, sobretudo, oportunidade para que a juventude possa participar dos processos de tomada de decisão.

De acordo com José Castiano, o livro surge no contexto das celebrações do “Ano Eduardo Mondlane”. É com base no autor de “Lutar por Moçambique”, que os filósofos conceberam esta proposta.

A questão que, actualmente, se coloca, prossegue, é porque Moçambique há que lutar actualmente. Ou noutra perspectiva, a pergunta que se coloca é “que país deixaremos para os que vêm?” 

Severino Ngoenha, por sua vez, disse que a publicação do “Manifesto por Terceira Via”, é uma tentativa de responder a uma preocupação social e de contribuir para o país que, considera, “vive uma situação difícil de pobreza e diferenças sociais”.

A expectativa do filósofo é que Moçambique possa viver com um mínimo de consenso e com justiça social, de facto.

No livro, dividido em oito pontos, os autores traçam uma série de argumentos, que resultam da leitura sobre os diferentes estágios da nossa jovem história, para sustentar a sua tese.

Com efeito, defendem que para a proposta, que apresentam, incluir o passado colonial seria contraditório, pois esta fase é marcada pela negação do sujeito moçambicano, uma vez que a geografia, que limita o território nacional era Portugal.

Severino Ngoenha e José Castiano sugerem que não é, necessariamente, o papel de um grupo específico, seja ele partidário ou associativo, pensar o país, mas de todos os moçambicanos.

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É licenciado em Jornalismo, pela ESJ. Tem interesse de pesquisa no campo das artes, identidade e cultura, tendo já publicado no país e em Portugal os artigos “Ingredientes do cocktail de uma revolução estética” e “José Craveirinha e o Renascimento Negro de Harlem”. É membro da plataforma Mbenga Artes e Reflexões, desde 2014, foi jornalista na página cultural do Jornal Notícias (2016-2020) e um dos apresentadores do programa Conversas ao Meio Dia, docente de Jornalismo. Durante a formação foi monitor do Msc Isaías Fuel nas cadeiras de Jornalismo Especializado e Teorias da Comunicação. Na adolescência fez rádio, tendo sido apresentador do programa Mundo Sem Segredos, no Emissor Provincial da Rádio Moçambique de Inhambane. Fez um estágio na secção de cultura da RTP em Lisboa sob coordenação de Teresa Nicolau. Além de matérias jornalísticas, tem assinado crónicas, crítica literária, alguma dispersa de cinema e música. Escreve contos. E actualmente, é Gestor de Comunicação da Fundação Fernando Leite Couto.

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