Jovens actores levam “Khupanda” às ruas

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A FALTA de salas de espectáculos na cidade de Maputo é respondida pelo Festival de Teatro de Rua Khupanda, organizado pela Companhia de Artes Makwero.

Este cenário acontece num contexto em que há cada vez mais grupos de teatro a surgir nos bairros, sobretudo das cidades de Maputo e Matola.

A decorrer no Bairro Mavalane B, nas proximidades do Mercado Missavene, desde terça-feira, o Festival de Teatro “Khupanda” junta 15 grupos, um dos quais espanhol que, inclusive, orientou uma oficina para os actores nacionais.

As sessões decorreram entre às 18:00 e 20:00 horas, no bairro de Mavalane, nos quais diariamente apresentaram-se três grupos. Ontem começou mais cedo, ou seja foi das 14:00  às 18:00 horas.

“Com este festival, pretendemos trazer a proposta de teatro de rua, que não existia na cidade de Maputo”, disse Ernesto Langa, responsável pela companhia que organiza o festival.

Estreante, conforme é conhecido nos corredores do teatro, explicou que a intenção é mostrar que a rua é uma alternativa para a escassez de salas de espectáculos em Maputo e no resto do país.

“Desta forma os grupos tornam-se independentes”, afirmou, para quem o objectivo é também incluir o público dos bairros que, por falta de dinheiro de bilhetes, não consegue aceder a uma sala convencional para ver uma peça de teatro.

Acrescentou que o facto de muitos espaços culturais estarem na baixa da cidade, acrescido à problemática de transporte que flagela a capital do país, afasta ainda mais o público, que até tem interesse em eventos culturais.

Expandir a ideia pelo país

A expectativa é que o Festival de Teatro de Rua Khupanda participe na formação de novos públicos para que, no futuro, não tenhamos as plateias dominadas por estrangeiros, assumiu Ernesto Langa.

Entretanto, a longo prazo, a Companhia de Artes Makwero espera explorar esta alternativa de modo a vê-la enraizada em todo o país, como, aliás, está a acontecer em alguns países europeus.

Frisou que o festival é o culminar de exibições que têm feito no último domingo de cada mês naquele bairro, envolvendo, para além do grupo Makwero, outros convidados.

“Acrescentamos Khupanda, que significa “desenrascar”, ao nome do Festival de Teatro de Rua, que é o que temos feito para manter o teatro vivo”, disse o director do festival.

Trata-se da segunda edição desta iniciativa, que começou com um ensaio, em 2017, envolvendo seis grupos. No ano passado contou com oito. O projecto já tem uma réplica, no Bairro Magoanine CMC, que se designa “Magogogo”.

A Companhia de Artes Makwero existe desde 1999, tendo parado a meio da primeira década do nosso século e reactivada em 2011, pelo actual elenco.

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É licenciado em Jornalismo, pela ESJ. Tem interesse de pesquisa no campo das artes, identidade e cultura, tendo já publicado no país e em Portugal os artigos “Ingredientes do cocktail de uma revolução estética” e “José Craveirinha e o Renascimento Negro de Harlem”. É membro da plataforma Mbenga Artes e Reflexões, desde 2014, foi jornalista na página cultural do Jornal Notícias (2016-2020) e um dos apresentadores do programa Conversas ao Meio Dia, docente de Jornalismo. Durante a formação foi monitor do Msc Isaías Fuel nas cadeiras de Jornalismo Especializado e Teorias da Comunicação. Na adolescência fez rádio, tendo sido apresentador do programa Mundo Sem Segredos, no Emissor Provincial da Rádio Moçambique de Inhambane. Fez um estágio na secção de cultura da RTP em Lisboa sob coordenação de Teresa Nicolau. Além de matérias jornalísticas, tem assinado crónicas, crítica literária, alguma dispersa de cinema e música. Escreve contos. E actualmente, é Gestor de Comunicação da Fundação Fernando Leite Couto.

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