O espelho

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A meio da festa de aniversário de Victória, Xanissecane, irmã da aniversariante, chama Laviuane, seu filho, para na entrada da cozinha, na parte traseira, entregar-lhe as tigelas de xima, arroz, caril de carne, doces e salgados. É tudo discreto.

Depois de guardar os recipientes retirados pela mãe, sem nenhuma autorização. O rapaz volta ao convívio. Acomoda-se entre os demais e serve-se, naturalmente. As refeições do dia seguinte já estão garantidas.

No bar, Victória colocou o seu irmão mais novo, o Tulane, para controlar e gerir o consumo. Este, por sua vez, convidou os amigos para a boda. Entraram pela porta de serviços e acomodaram-se nas grades de cerveja, pois as cadeiras estavam contabilizadas.

As garrafas e os copos são postos a circular. O tio Madendere não para de pedir bebida. Já solicitou uma garrafa de vinho, uma de whisky. E agora já está na cerveja. Ninguém desconfia que a esposa está a meter as garrafas na bolsa.

Tulane e os seus amigos, acomodados no bar, já retiraram as que irão consumir depois dali, com aquelas “pitas”. Em questão de três horas, uma festa organizada durante um ano, com o devido cálculo, é atravessada pela mensagem de que já não há bebida nem comida.

Entretanto, o mano Mpfumo, irmão mais velho de Victória ainda recebe taças de vinho, discretamente. É ele e outros próximos do responsável pelo bar. Indignado, o Zefanias, primo da dona da boda, entra na sua viatura e vai-se embora com a esposa e filhos.

É, claro, parado por um agente da polícia de trânsito, no Maquinaque. Sopra o balão e acusa consumo de álcool. “Como resolvemos isto?”- Agente da polícia de trânsito. “Epah, Boss, não aplica multa”, diz o condutor enquanto sinaliza a esposa para sacar a nota de 200, antecipadamente guardada para esta circunstância. Ela, porque deixou a carteira com o filho de 13 anos, no banco de trás, pede que a entregue. Pago o “refresco”, seguem viagem.

Na segunda-feira, pela manhã, Paito cruza com Tulane na fila do banco. E comenta, “afinaram pinga naquele dia”. Ao que é respondido: “nada, acabou mesmo, as pessoas bebem mal, querem sabotar”. A conversa prossegue, lamentam que a comida, igualmente, acabou antes do previsto. E Paito condena os gulosos.

Nisso, a Victória, 45 minutos depois entra, os cumprimenta e vai directo ao balcão, ignorando a fila. A balconista é sua irmã da igreja. Resolvida, retira-se.

Zefanias, no escritório, abre o jornal e lê: LAM desfalcada em 50 Milhões de meticais. E vocifera: estes corruptos, deveriam todos ir parar na cadeia!

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