Poemas de Frank Lemos

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Frank Lemos
Frank Lemos

Textos de Frank Lemos

Às Margens

As dunas que contornam minha cidade envolvem também meu coração
Carnaúbas erguidas na esquina
Onde mata havia, e bambú
Mameleiro e téju meu fí
São bens pruma vida só dar
Se não sabes o que estoy hablando
Te convido a pular neste mar
Onde a cúia descalça te banha
E de taipa as paredes e o chão
Candeeiro alumia, e a lenha
Que aquece esse peito timbú
É sem volta pra cacimba
Pra estrada que sanhaçú canta
Chama y chave
Alçapão de sorrisos
Forte pra espantar a morte
Mesmo longe
De que serve peito se num sangra de emoção
Só sei que pinhais não se dão, se não, em quintal baun
Que se fole toca o tocador
É que sina braba é ser alma
É ser frenesí

Pintura de João Timane
Pintura de João Timane

L’histoire du Sertão

As gotas que te escorrem as mãos sãos suores que marcam este agora
Tal qual calo que a palma grita
Alimenta multidão
Seja fí do cangaço
Ou gado no laço
Na seca arredia que noite e dia passam sem despedir-se
Gritos silenciosos engolidos por mandacarús
Houvessem homens nús eram filhos dos teus
Tarairiús
Germinados aqui
Solo que tanta rês deu
Histórias que contei pro guri
Olhe neste olho centenário e veja
Quanta vida houve aqui
Quantos quilos de cana e algodão
Sacos cheios, barrigas vazias
Mas coração sempre sangrava de alegria
Quando era dia e quando chovia pra açude inundar
Criação de peixe, ancestral sustento dus parente
Tudo ali se unia
Compartilhava e seguia
À luz dos encantados
Sob o manto dourado de Guarací
E a prata jorrada de Jací
Iara desdenhou a pedra
Que rachada sangrava o que regava a nós e aos cará
E tanta vida num leito só
Que dali sair ninguém queria
A bonança dos dia era coisa festêra
Só entende essa sina
A alma menina que cantava Assum
O berço urucum
Que um toró pode dar

* * *

Poeta, pianista e compositor Frank Lemos, nascido no nordeste brasileiro na cidade de Natal/RN em 1992, viveu por sete anos, de sua adolescência, na zona rural de Macaíba. O que lhe rendeu uma relação mais próxima com a natureza!
Seu contato com a poesia de deu através das canções, do universo da música brasileira, especialmente dos artistas Gonzaguinha (com sua escrita romântica e visceral) e Djavan (com seus versos livres). Passou a escrever de fato à partir de 2017, e hoje já soma em torno de 300 poemas!
Junto a seu disco lançará este ano seu primeiro livro de poesias, que são regadas por suas pesquisas sobre a cultura afro-indígena brasileira e potiguar, o sertão e a vida urbana! Miscelâneas atemporais colhidas ao vento! Rastros de canções à beira cais!

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