(in)disciplinados preparam primeiro álbum

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Por Luísa Nhantumbo

Há seis anos o guitarrista Jimmy Dludlu juntou um grupo de estudantes “mal comportados” da Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane (ECA – UEM), que disciplinaram-se, conquistaram os palcos nacionais e hoje projectam o lançamento do primeiro álbum.

Composto por 12 temas, o trabalho discográfico da banda que envereda pelos caminhos do Afro-jazz e Afro-fusion, os (in)disciplinados reúne músicas inéditas. Algumas são recriações de hits de outros tempos. Estamos a falar de “Xonguile”, de José Barata; “Viola”, de António Marcos; “Drenagem”, de Zaida Chongo e “Kihiyeni”, de Zena Bacar.

“Colocamos a nossa mão nos temas interpretados. Pegamos algumas teorias de Jazz para dar uma nova roupagem a essas músicas”, disse Domingos Aligema, baixista da banda.

As composições originais são resultado do percurso dos 6 anos do grupo. São eles: “Reflexão”, “Meninos de rua”, “Modjero”, “Sete vidas”, “Restart”, “Nyambaro”, “Indisciplinados”, “Love Life”, “Buya uta kina”, “Os químicos”, “Kuhava” e “Funk”.

Segundo Aligema, ainda rondam incertezas em relação a data de lançamento. A falta de recursos financeiros é o maior obstáculo para a realização deste sonho do quarteto.

“Temos músicas, estamos preparados para fazer o trabalho. No entanto, precisamos de valores. Estamos a juntar dinheiro, pouco a pouco. Enfim, é complicado falar de uma data exacta para o lançamento do disco”, explicou Aligema. Apesar das incertezas, o baterista garante que o álbum vai sair.

Para o futuro, (in) disciplinados tem em mente projectos sociais e a intenção de fazer perceber ao mundo que é possível viver de música. “Claro que é, nós estamos a viver do nosso trabalho, a música”, assegura. E mais, o agrupamento sonha em ter um estúdio de gravação de ensaios e uma escola de música.

“O show de Angola e o show in the Groove são os shows que já marcaram a banda”

A banda (in)disciplinados participou em vários eventos, dentre os quais o lançamento do álbum “In the Groove”, de Jimmy Dludlu e na quinta edição do festival jazz de Benguela, em Angola.

O colectivo já realizou inúmeros concertos em casas de pasto sul-africanas e nacionais, dentre as quais, o Up Town Café, o Café Jazz Spoon, The Backroom, Ibiza Bar e Lounge, Beergarden, bem como em casamentos e em conferências da Assembleia da República.

A banda nasce na ECA-UEM, em 2014, pelas mãos do conceituado músico, compositor e intérprete Jimmy Dludlu, aquando da introdução da cadeira “Assamble”, na licenciatura em Música.

O nome (in)disciplinados surge devido aos consecutivos atrasos aos ensaios com o docente, pelo que Jimmy decidiu chama-los de indisciplinados. “No princípio éramos indisciplinados de verdade. O professor, que era director musical da banda, marcava um ensaio, por exemplo, as 12:00 horas, mas alguns colegas chegavam as 13, outros não vinham e nem justificavam a sua ausência”, lembra Domingos Aligema.

A falta de seriedade e assiduidade da banda levou Jimmy Dludlu a escrever uma carta de expulsão do grupo à direcção da ECA. Contudo, após um pedido de desculpas a banda continuou e o nome ficou.

Entretanto, o nome subentendia a ideia de um comportamento rude e de mau agrado, pelo que o quarteto decidiu colocar o prefixo “In” dentro de parênteses, passando a significar “dentro da disciplina”. “Começou a se revelar seriedade e maturidade, principalmente nas performances. A nossa actuação tem ‘indisciplina’, no bom sentido, é claro” conta, o baixista.

A banda (in)disciplinados é formada pelo baterista Tony Guindo, o guitarrista Regino Matimbe, o baixista Domingos Aligema e pelo saxofonista Sarmento de Cristo, todos licenciados em música pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane.

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