Moreira “vive” no primeiro andar do Radisson Blu

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Por Elcídio Bila
Fantástico! E não é que é. A todos os níveis. Desde à recepção, o “wellcome drink” até à subida ao primeiro andar. Moreira Chonguiça sempre nos acostumou ao brilho na hora de apare(ser). A pompa e o pormenor são lhe peculiares. A si e sua equipa, toda unida na hora de fazer a “magia” que todo o mundo testemunha nos seus eventos. É dai que ele sempre defende a tese de que devemos trabalhar juntos.
 
O Bar e Lounge lançado num dia atípico, segunda-feira, para ser mais preciso, 19 de Novembro, tem um nome que rompe com o que o Moreira sempre abraçou: trabalhar juntos. Chama-se VIVO: forma do verbo viver na primeira pessoa do singular. Ora, curiosamente, no meio da fara, algures na sala, interpelo-o como quem não quer nada ou como quem quer mostrar que também esteve para testemunhar à obra. Perguntei-o rapidamente. Queria que a questão levasse menos tempo que ela própria, afinal o “sofrido da noite” ainda tinha muitos troncos por abraçar e muitos flashes por registar.
 
– Por favor, diga-me só uma coisa: porque VIVO?
– Porque estamos vivos… – como lhe é característico, respondeu sem pestanejar – como se estivesse a espera que o violentasse –, e deu-me um abraço e às gargalhadas cada um foi para o seu lado.
 
O “juntos”, ainda que desmembrado daquele verbo que dá nome ao bar, ou melhor, a casa, Moreira sente que aquele local não é só para ele. Por isso a resposta veio no plural, uma flexão que faz questão de guardar na ponta da língua.
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Quando nos separamos, ainda que juntos, eu não sei ao certo para onde fui. Minto. Contemplava nas paredes as obras do homem que faz poesia com armas. Divinal! Onde quem vê dor, desgraça e tortura, Gonçalo Mabunda vê uma encruzilhada de metáforas personificadas ou anáforas eufemizadas. Ou seja, vê um bocado de esperança, ou ainda, se quisermos fazer poesia, também, diríamos que vê um amanhã risonho.
 
Havia do bom Gonçalo bem espalhado pelo bar, aliás, pela casa. Espalhado como mandam as regras mais refinadas do design de interiores. E quem espalhou aquelas obras teve o exercício de antes revisitar o seu interior e deixar que as mãos da alma conseguissem o melhor sítio para as esculturas repousarem, sobretudo as armas e suas respectivas balas.
 
Mas a principal, a que nos recebeu a entrada é uma AKM-sax. Melhor poesia há? Craveirinha e White, a estas alturas, estão engasgados de ciúmes pela composição de Mabunda.
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A imagem poética corre pela sala em forma, também, de fotografias. Moreira, como é óbvio, e outros amigos desfilam na sala graças ao sujeito que foi o último a chegar. Apressado. Transpirado. Se não fosse minha abordagem o sujeito teria atravessado o bar e dava por si, na piscina ou mesmo lá para baixo, na pior das hipóteses. Nós é que tirávamos a ele as fotografias (risos…).
 
Mauro Vombe disse-me com tamanha humildade que desrespeitava aplausos e glórias. Se foi uma desculpa por não ter ouvido em público os agradecimentos do Moreira bem que soou a agradável. Mas não parece desculpa. Mesmo quando não se atrasa, Vombe, com a ajuda da sua fisionomia, feito uma formiga, esconde-se nos escombros do grande público e a sua obra é que faz o espectáculo. Ele não.
 
Mas não só, o mosaico arquitectónico daquele lugar é singular. Só não vou destacar as suas nuances com receio de ser vago. Quem for (e poder) adiciona mel a este parágrafo.
 
Aquele beco do primeiro andar ficou pequeno para tamanho “juntos” que trabalham com Moreira. Destes, friso a sul-africana Ivone Tchaka Tchaka que mesmo ter abandonado a sala muito antes da cerimónia iniciar, com votos de um breve regresso, o seu perfume transmitiu leveza ao sítio.
 
Nunca tinha visto José Pacheco tão distante do seu ar carregado, espalhando risos e bom-humor a todos como se desse as chaves para abrir negócios. Afinal, nem todos são lobos – constatei. O meu bom Dunduro não fugiu à regra. Simpatia e boa disposição toma-o por inteiro. É mesmo da arte…
 
Tem razão dos dois lá terem “governado”. O sítio é mesmo para negócios e cooperação e para cultura e turismo. Não é à toa que se encontra num dos edifícios mais emblemáticos da capital: Radisson Blu Hotel. De olhos para o mar, quem visitar o VIVO, ao mesmo tempo visita o Índico.
 
E é por isso que me sufoca a garganta chamar aquele sítio de bar. É sim a extensão da casa de Moreira. Onde para além da sala, há uma varanda ímpar e balneários bem convidativos. O resto não se descreve. Sente-se.
 
Aos dois governantes, que estavam lá para legitimar o imponente projecto coube-lhe poucas palavras. Foi simpático ver os dois ministros longe das amarras dos grandes discursos. E gente de boa cultura e educação degustando uma variedade de iguarias e bebidas, trocando cartões-de-visita. Eu também troquei.
 
E não faltou música. E das boas. Coube ao jovem Tica Tembe narrar as histórias daquela mágica noite através da sua voz e guitarra bem sintonizadas. Pelo menos o saxofone descansou, ainda que pelos televisores os espectáculos do Moreira dessem gostinho dos seus sopros.

Ainda assim não se trata de um clube de jazz. VIVO está morto para essa ideia. Esse (o clube) ainda vem. Logo, distancie-se quem julgar que ali haverá isso. Mas haverá outras acções, uma delas é a gravação de um programa de televisão para o youtube.
 
Este projecto que sai da manga dois anos depois com um dos melhores críticos de culinária da África do Sul dão o tempero mais do que suficiente a nossa rica gastronomia, como também tempera o facto de Moreira ser embaixador global do Grupo Radisson Blu.
 
Ali foi lançado também um livro que explora o universo dos vinhos, como que a inspirar obras para lá do convencional.E oferecido aos amigos com direito a autógrafo. Falta o meu.
 
No fundo, foi lançado um espaço para, tal como a “poesia de combate de Mabunda” sugere, disparar contra a inflação e tocar a nossa economia pelas duas faces da moeda: a cultural e turística.
 
Elcídio Bila
elcidiobila02@gmail.com

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