Quero ser Condutor!

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Por Celestina Marques
Papaíto vive num bairro humilde duma pequena cidade. Os seus pais são pobres, não têm muitas condições financeiras, não têm dinheiro para comprar brinquedos. Aliás, mal conseguem comprar comida e roupas. Como poderiam desperdiçar o pouco que têm, comprando brinquedos para os seus cinco filhos?
 
Papaíto, o rapazinho de nove anitos, que frequentava a quarta Classe, por sinal um menino bem aproveitado, embora não tenha livros.
 
Papaíto, criança alegre, bem-disposta, uma criança brincalhona, cheia de paixões. Na verdade, tinha uma grande paixão: ser condutor de camiões quando crescesse. Era apaixonado por carros, gostava muito, mesmo sem ter subido em um que fosse. Papaíto, o menino das ilusões. Assim lhe chamava a sua mãe, quando quisesse dizer que ele era muito sonhador.
 
Mas para ele, não lhe custava nada perder uma parte do seu tempinho a criar fantasias. Ele gostava era de carros. Ficava fascinado pelo barulho de um motor, pelo ranger de um acelerador.
 
Papaíto, o menino mais quente da zona, conhecia os carros como ninguém. Quando visse um, era aquele que gritava para os outros: – vem ai um carro! Pois eram poucos os carros que passavam por ali, se calhar uns dez por semana. Havia dias, em que não passava nenhum.
 
Papaito, mesmo assim esse menino não se deixava abater, contentava-se com os carros de arame e matope, que fazia, durante as suas brincadeiras, com os seus irmãos e amigos. Fazia-os, na esperança de que, um dia, conseguiria pegar num volante, pisar num acelerador, e sair por aí.
 
Papaito, mal sabia ele que mais do que um volante e um acelerador, precisaria de uma caixa de mudanças, de um travão e de uma embreagem. Papaito, vivia na esperança de um dia ser condutor.

In Conte-me histórias…

 

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