Sem título

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Por Hirondina Joshua

Parei. Olhei o quadro como se transferisse os meus olhos para as mãos, a pulsação sentia-se dentro dos dedos. Isto de olhar coisas de arte mata-me os sentidos. Eu, e o quadro e dentro dele apenas um ponto. 

Um ponto que pode contar muitas coisas para quem tem estórias. Nada mais que isso. Como pode alguém ver alguma coisa naquele ponto!? Há só um ponto ali diante de mim. Os grandes jogos da inocência. A retórica em cima da inocência. – É o ponto dentro da brancura do quadro. Afinal o que ilumina é isso. A esperança de lá haver algo para ser contado, alguma que diga o que não sabemos a partir do nado à nada. O grande ponto dentro do quadro deslumbra. Como se fosse o mundo inteiro. E lá fora o mundo é pequeno para o ponto. Eis o comando das almas. A tradição dos fortes. Quem não vê o ponto mais do que não possuir olhos não tem cérebro. Não consegue ver por trás do objecto. Sensibilidade limitada, alma não cultivada. -Dizem eles sobre alguns de nós. Um ponto dentro de quadro tem filosofia bastante, um barulho sem harmonia tem poder suficiente. Fazem-nos temer acreditar no contrário, chamam o medo de sermos incapazes de ver o que se quer que se veja.

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