EXPOSIÇÃO “PANDZA SHOW” A “revolta” política de Vasco Manhiça

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COM recurso a colagem de excertos de textos, fotos de frases recortados em jornais nacionais e abuso de cores quentes, Vasco Manhiça “escreve” um discurso de manifestação contra o “status quo” na sua exposição individual “Pandza Show”.

Esta que etá.jpgInaugurada recentemente na galeria da Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo, a mostra estará patente até 27 deste mês. A abertura contou com um “kupalha” cantado pela voz potente e espiritual de Rodhália Silvestre.

A técnica de Vasco Manhiça mantém-se: cores quentes, desenhos que lembram os rabiscos infantis e manchas no meio dos quadros. Nesta exposição, em particular, a sua maioria está nas cores preta e vermelha.

Desde a exposição “Black Box” (2013) passando pela “Pontos de Vista” (2015), na Galeria do Centro Cultural Franco Moçambicano e na do Centro Cultural Português, respectivamente, que Manhiça evidencia narrativas à margem dos discursos da maioria dos artistas plásticos nacionais.

Exposição.jpgNa presente mostra ele convida para uma leitura intertextual entre a mesma e a música do rapper Slim Nigga, “País do Pandza”.

O rapper usa o termo “Pandza” como metáfora para ilustrar um país cujos valores estão inflacionados na quantidade de meticais que as pessoas possuem no bolso e a constrói como se quisesse dizer: “estamos mal”.

O artista plástico entra pela mesma via, mas para repudiar o comportamento de alguns políticos que, na sua óptica, devido às suas atitudes corruptas, vão mergulhando o país e os moçambicanos na miséria e à condição de vida decadente e hipotecando o futuro de várias gerações.

Embora aposte no surrealismo, os excertos dos jornais e algumas palavras do seu cunho, escolhidas minuciosamente sugerem a temática que pretende discutir em cada quadro.

A narrativa desta exposição foi construída no detalhe. Ao entrar para a galeria, os primeiros três quadros, em jeito de introdução, sugerem o debate, exagerando na repetição da palavra “Pandza” nos seus recortes.

Cada obra, em jeito de parágrafos, vai acrescentando elementos para despertar ainda mais o observador, por essa razão são todos interdependentes.

As últimas obras são o culminar que, ilustrando rostos de políticos, questiona o papel do povo em meio a situações que o levam sempre a ter uma “vida apertada”.

Vasco Manhiça não aposta apenas nas telas convencionais para os seus “gritos” pintados, explora também estrados, roldanas de madeira e cartolinas.

“Em ‘Pandza Show’ há uma ensurdecedora voz que trespassa o palco de eleição das massas. Há também bailarinas nuas, o vendedor da pátria”, indica o texto de apresentação da exposição, escrito pelo poeta Amosse Mucavele.Pandza Show.jpg

Nestas leituras de musicalidades, ancoradas ao facto de “Pandza” ser um ritmo urbano que surgiu com uma geração jovem nos últimos anos, contestada pelas suas temáticas consideradas obscenas, o poeta encontra ainda, na mostra, as vozes de Pedro Langa e Fela Kuti, “lá no fundo das nossas incertezas”.

Vasco Manhiça nasceu em 1978 na província de Nampula e cresceu no bairro do Aeroporto, um dos subúrbios da cidade de Maputo.

É formado em Design de Comunicação pela caMedien college, Essen, Alemanha (2010) e em Design Gráfico pela Escola Nacional de Artes Visuais em Maputo, Moçambique (1998).

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