As promessas de Omar Sosa!

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Por: LEONEL MATUSSE JR.
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“PROMISE” (Promessa) é um álbum do jazzista cubano Omar Sosa, lançado em 2007. Talvez não seja o melhor, mas o título, em si, intriga. É com recurso ao piano que o cubano vai construindo o seu discurso no Jazz.
A música latina tem as suas particularidades, perceptíveis logo nos primeiros acordes. O seu poder é tal que a encontramos apropriada e recriada um pouco por todo mundo.
Os sons cubanos, sobretudo, embora incorporem elementos espanhóis como Salsa, e africanos, como Rumba, brotaram uma fusão que, de forma criativa, construíram traços muito peculiares. Mas Sosa não quis ir por aí… optou por explorar outras possibilidades, ainda que soubesse que, apostando na música cubana, o sucesso seria garantido.
O pianista, como se quisesse ser o universo da música, anda pelo mundo à busca de sonoridades que acrescentem ao seu discurso. Sente-se, porém, uma forte queda pela espiritualidade africana. Um amigo diria “Zione”.
Tanto no disco “Alma” (2012) como no “Eggūn: The Afri-Lectric Experience” (2013) perceber-se que esta música é, até certo ponto, religiosa.
Nesses projectos, o seu piano (às vezes eléctrico) aponta para um discurso de Blues, pese embora tenha alguns efeitos e Samples, no sentido de sentimento dolorido.
No seu percurso, Omar Sosa já se fez acompanhar por acordeão e muitos outros instrumentos, mas é no trompete que realiza um diálogo mais frutífero.
Por exemplo, na colaboração com o trompetista Paolo Freso (discípulo inequívoco de Miles Davis) nota-se que este “matrimónio” vive em lua-de-mel.
Já, no álbum “Promise” (2007), mesmo com os préstimos do baixista moçambicano Childo Tomás – disciplinado e com evidências claras de líder –, ou Leandro Saint Hill, no saxofone tenor e alto, é na bateria onde se nota ainda mais o tal “casamento feliz”.
A questão agora é: qual é a Promessa (Promise)? Esta é uma pergunta pertinente, pois o percurso de Omar Sosa vai suscitando mais questionamentos sobre o seu destino musical. “Para onde vais, oh pianista?”.
No entanto, a cada álbum seu, que poderia ser uma resposta, apenas, as perguntas se reforçam.
Neste sentido, “Promise” não deixa de ser senão um tributo a ele mesmo, isto pelo seu percurso.
Confira Omar Sosa

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