Um concerto mais de 340 mil coisas

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Por Hélio Nguane

UM palco, uma banda (340 Million), quatro músicos: Pedro Silva (voz), Rui Soeiro (viola baixo), Texito Langa (bateria) e Tiago Correia-Paulo (samplers e efeitos), tudo fizeram para tornar a noite de sexta-feira, no Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM), mais colorida.

O concerto estava marcado para as 20.30 horas, mas 27 minutos antes do início os bilhetes já haviam esgotado. Negando os factos, várias pessoas cercavam o exterior do espaço cultural. No interior, o público aguardava pelo espectáculo, que só iniciou por volta das 21.00 horas.

Casa lotada, as pessoas que não conseguiram ter um acento acompanharam de pé a actuação do agrupamento, nos corredores da sala e encostados ao palco. Depois de dois temas, os mais atrevidos, com as mãos batucavam o chão que os artistas pisam.

Ao som dos 340 Million, uns consumiam líquidos, alcoólicos e/ou não alcoólicos, para deixar a música passar com mais leveza. Outros faziam nuvens de fumaça branca, que misturava-se com a luz que vinha do palco, dando outra cor a atmosfera daquele local.

Tomados pelo calor transmitido pela plateia, os 340 Million ofereciam a música que atraiu aquela gente até eles. Era uma verdadeira salada rítmica, com sons Afrobeat, electro, dub e elementos da música pop.

Os quatro músicos dominaram aquele espaço. Pedro da Silva Pinto usava a sua voz para cantar alegrias e tristezas, a solidão e a euforia. Às vezes, mexia o teclado. Rui Soeiro com a viola baixo no colo reformava as vibrações transmitidas pelo seu companheiro. Texito Langa, na bateria, sacudia a cabeça e dava ritmo aos passos da plateia. Tiago Correia-Paulo com um arsenal sonoro sobre a sua alçada, sintetizadores, bateria electrónica, samplers e efeitos, dava um tom electrónico ao concerto.

Além dos quatro músicos, seis coristas lideradas por Regina Santos, do agrupamento GranMah, ecoaram, em momentos diferentes, no espectáculo. As vozes femininas misturavam-se com timbre vocal de Pedro Silva e o som dos instrumentos, dando outra sonoridade à música produzida pelos 340 Million. Ritmos do passado e modernos (electrónicos) entravaram em contacto.

Somebody close, someone to filter the hype/ somebody listening”, cantavam Pedro Silva. Apesar dos temas serem em Inglês, a língua não era um obstáculo, o público sentia as vibrações da música e seguia as letras em coro.

Num concerto sonoro e visual, as imagens projectadas nas telas, afixadas no palco, ajudavam a solidificar os sentimentos que a música transmitia. Vermelho, verde, laranja e outras cores desfilavam no palco. No tema “Australopithecus”, a tela projectou pessoas sem roupa. A nudez, que poderia chocar, foi digerida com normalidade.

No calor do espectáculo, Pedro Silva pegou no microfone e anunciou o fim do concerto. Os quatro artistas saíram do palco. O público, inconformado, gritou pelo regresso dos músicos, que sem argumentos retornaram e tocaram mais algumas faixas.

A música “Midnight” trouxe memórias que levaram os presentes ao encontro da constatação do crítico musical Jean Barker, que no portal (“Channel24.co.za”) disse que a música da banda “soa melhor do que uma abertura de cerveja gelada em um dia quente”.

Contrariando, mais uma vez, o anseio da plateia, o agrupamento de novo retirou-se do palco. Apesar dos pedidos, gritos e assobios por “mais uma! Mais uma!”, o grupo não retornou. Dispensou-se daquele público, que vai espera por mais um concerto dos 340 Million.

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