O céu mudou de endereço

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Por Leonel Matusse Jr
OS religiosos crêem que depois da morte a boa alma vai para o céu. É lá onde se encontra o paraíso. Verdade ou não, o certo é que o Centro Cultural Franco-Moçambicano (CCFM)
recebeu uma mão cheia de estrelas para homenagear a “Diva dos pés descalços”.

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O cartaz de anúncio do concerto já denunciava que a constelação estaria instalada no “Franco” por algumas “horinhas” ao exibir nomes como dos moçambicanos Xixel Langa e Rhodália Silvestre (voz), Hélder Gonzaga (baixo), Válter Mabas (guitarra solo) e Tony Paco. De Cabo Verde vieram Nancy Vieira e Lucibela (voz) e Toy Vieira (teclado).
Neste espectáculo de despedida do Franco-Moçambicano, que encerrou as suas actividades do presente ano no sábado (16), o objectivo foi reabrir o universo de Cesária Évora, em forma de tributo, para o público de Maputo, com recurso a outras vozes.
Coube à estrela Rhodália Silvestre dar a primeira luminosidade à noite. E o palco da Sala Grande abriu-se para que ela distribuísse a sua voz, que de longe evidencia as suas inclinações para o soul e para o jazz.
À vontade e segura, Rhodália interpretou três faixas da “Diva dos pés descalços”, mas arrancou os aplausos do atento público que esgotou a bilheteria daquela noite cinzenta quando se ouviu o sucesso “Sôdade”.
Quem se seguiu foi a energética e “meio louca” Xixel Langa, que encantou com a sua voz ao atingir a espiritualidade inédita de Cesária Évora. Em contraste com a homenageada, habitualmente serena, ela ainda requebrou a cintura. Parece que o seu lado “marrabentístico” fluía.
Antes de deixar o palco, que já estava contaminado com a animação que lhe é característica, puxou a brasa à sua sardinha, convidando o auditório a comprar o seu mais recente álbum “Inside me”.
Seguiu-se um momento mais relaxado e calmo da actuação da cantora cabo-verdiana Lucibela, naquele palco que tem à sua frente a imponente catedral de Nossa Senhora da Conceição, como que confirmando a religiosidade da homenagem.
E para fechar o ciclo da constelação, Nancy Vieira cantou “Besame Mucho”, para o delírio do público que acompanhava em coro.
Foi uma noite em que o paraíso se desviou, por algumas horas, para Maputo, deixando uma noite de cor, luz e efeitos sonoros balsâmicos, em homenagem à eterna “Diva dos pés descalços”. Maputo e Praia cantaram Cesária Évora.
“Cise”, como era tratada por amigos e companheiros de palco, nasceu (1941) na cidade de Mindelo, Cabo Verde, e morreu (2011), em São Vicente, depois de uma carreira que, além das inúmeras digressões e actuações em televisões, gravou 24 álbuns, um DVD, “Live in Paris”, e registou dezenas de colaborações em discos de outros músicos como Caetano Veloso.
*Publicado no Jornal Notícias no dia 19/1220/16
Acompanhe o vídeo da “Diva dos pés descalços”

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