“É normal ser especial” em exposição

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Por Pretilerio Matsinhe
Exílio, exclusão social, isolamento e….dor. Um conjunto de cinco artistas, nomeadamente, Tsenane, Circle Langa, Pinto Zulo, Djive e Pinto juntaram-se para retratar, através da pintura, a sua solidariedade em relação a pessoas com necessidades especiais!
“É normal ser especial” é o nome da exposição patente no Centro Recreativo Estudantil da Universidade Politécnica (CREISPU). A mostra, inaugurada na passada quarta-feira, retrata a necessidade da inclusão no meio social de crianças com necessidades especiais e estará aberta até 7 de Fevereiro de 2017.A iniciativa enquadra-se nas comemorações do Dia Internacional de Pessoas portadoras de Deficiência, 3 de Dezembro.
Segundo os artistas, as crianças devem conviver entre elas independentemente da sua condição física. O artista Tsenane por exemplo explica que os nossos quintais são os principais opressores na questão do isolamento.
O exílio existe mesmo estando em casa; por isso nos meus quadros tento trabalhar em aspectos de como as pessoas acabam tendo uma vida difícil porque são mal compreendidas. Por causa do isolamento, acabam achando aquele ambiente normal e os outros estranhos, mas as crianças devem estar connosco ali em casa, não serem retiradas do convívio.
Influenciado por artistas como Van Gogh e Francis Bacon, Tsenane assume a frieza dos seus quadros, convencido de que a felicidade para o ser humano, neste exacto momento, é uma miragem, sendo que isso percebe se num dos seus quadros intitulado Zona de Sena, onde retrata a situação de crianças sujas, descalças, desesperadas e que abandonaram a escola por causa da tensão político-militar. Por isso trabalho no âmago das pessoas, esclarece.
Enquanto há quem pensa que o facto de crianças com deficiências serem consideradas especiais possa criar um distanciamento, Pinto Zulo, um dos expositores, acredita que não há nada de discriminatório. Mas quando digo que és especial, é porque és diferente, mereces mais atenção em relação a outras pessoas. Mesmo as doenças, há as que são consideradas especiais.
A sua obra leva um título curioso “O curioso no futuro de Moçambique”. Com um olhar amargurado, a criança que aparece na tela, como narrou ao nosso jornal, retrata desespero, tentando descobrir o futuro que lhe espera num país assolado por vários problemas sociais.
DIVERSIDADES
Longe de preparar uma exposição que retrata exclusivamente crianças com necessidades especiais, os artistas abrilhantaram a mostra com quadros independentes do tema principal. Todos os artistas fizeram uma selecção dos trabalhos que podiam se enquadrar no conceito geral.
Não obstante o facto de Tsenane ter abordado, por coincidência, diga se de passagem, quadros que retratam o isolamento, Langa proporcionou ao público uma reflexão sobre a consciência ambiental. No quadro A revolta do irracional, ele mostra como a fauna vem sendo destruído por caçadores furtivos.
Criamos um espaço para que as crianças se libertem já que por causa de sua condição acabam ficando um pouco acanhadas. E, ao se libertarem, há um conjunto de temáticas que elas têm para abordarem nas telas e nós também fizermos isso, defendem os artistas.
A maioria dos quadros foi trabalhada com aguarela sobre a tela, tinta chinesa e óleo sobre tela. A curadoria foi conjunta, sendo que contam que foi um processo de selecção fácil, atendendo que a exposição é colectiva.
RECEITA PARA BENEFICÊNCIA
Ficamos a saber no local da exposição que cada artista vai doar 40 por cento do valor de suas vendas para crianças deficientes. Aliás, a exposição é o culminar de uma série de actividades que a Cooperativa Semeia Sorrisos vem implementando, desde debates, realização de uma gala beneficente e espetáculo.
A meta, segundo contou a presidente da cooperativa, Benilde Mourana é levar a associação para vários pontos do país, estando já de olhos postos para a cidade da Beira. Segundo contou, noutros pontos da nossa pérola do Índico as actividades serão realizadas com uma forte presença de artistas locais.
Benilde explicou que sua cooperativa vai apostar nas terapias, sendo que neste momento já possui uma terapeuta ocupacional a disposição. Acrescentou ainda que pretende construir um centro de acolhimento a crianças necessitadas que morram nas ruas.
No que diz respeito ao ensino, estamos a tentar entrar em contacto com os ministérios da Educação e da Saúde. Há pais que não têm condições financeiras para por os filhos em escolas privadas e queremos que nossas escolas tenham condições para receber nossos meninos. Que haja fisioterapeuta, um terapeuta ocupacional e outros.

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