TRIBUTO DE TP50 Retrato da obra de Mia Couto

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Por Leonel Matusse Jr.
Um autêntico decalque, a vasta obra de Mia Couto é a ideia com que ficaram as centenas de espectadores que assistiram ao concerto do agrupamento TP50, em homenagem ao escritor Prémio Camões 2013.
O concerto da noite terça-feira foi um pretexto para contar a história de Moçambique com a literatura produzida por este escritor, que já conta 31 anos de carreira e igual número de livros publicados.
Depois do concerto, o “Notícias” ouviu alguns espectadores que manifestaram o seu agrado pelo conceito do espectáculo e a maneira como foram retratadas as estórias narradas nos livros de Mia Couto.
Rafael Sengo observa que “foi acertada a opção do projecto TP50 de homenagear Mia Couto porque este é um escritor que conta as nossas histórias e a sua literatura é o retrato de fragmentos dos nossos sonhos como país”.
Sengo entende que o escritor busca no tradicional alguns elementos da origem de Moçambique, com os quais consegue narrar com alguma propriedade o percurso deste país.
Por sua vez, Maura Brito lamentou a qualidade do som, pois, na sua opinião “atrapalhou um pouco”, não obstante, congratula conceito do espectáculo que considerou “formidável” e de acordo com a obra do escritor.
Para ela, intercalar os textos com a música foi uma opção acertada por facilitar a percepção de quem assiste.
Um dos momentos mais emocionantes foi a entrada ao palco de uma jovem de saia verde, cumprida até aos pés, blusa branca e uma coroa peculiar na cabeça. Ela é portuguesa e se chama Maria João, sem muita ascensão em Moçambique.
No palco, só ela e o pianista, ante um olhar curioso da plateia, Maria João se apresenta a cantar em Changana.
Luís Phumula, espectador, espantado, questionava com os olhos arregalados “sério?”.
A actuação continuou com a artista a interpretar, na sua canção, uma alma possuída por nhamussoros/curandeiros e outros seres de origem africana. A plateia hesitou em bater as palmas para não perder a performance.
Com o público ainda pasmo, ela se explica: “sou filha de pai português e mãe moçambicana. Passei muito tempo a tentar me encontrar, já que sou duas geografias diferentes, não sabia qual era o meu lugar”.
Tudo muda quando cruza com a literatura de Mia Couto, conforme conta, no livro “Terra Sonâmbula”. Ela diz, a travar os soluços do choro, “naquele livro ele me disse quem eu era”.
E desta forma encerrava mais uma homenagem do TP50 a uma figura das artes moçambicanas, depois do músico Hortêncio Langa e do escritor Calane da Silva que tiveram lugar no ano passado, na cidade de Maputo.

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