Azgo com Açúcar Castanho

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transferirQuem tem fé, consegue o que quer” – deve ter sido com esse pensamento que o baterista e percussionista Samito Tembe ficou quando soube, no Café Bar Gil Vicente, que vai participar na sexta edição do Festival Azgo (20 e 21), pelo facto de Açúcar Castanho Experiment, seu projecto, ter ganho a Batalha das Bandas Azgo2M. Na edição passada a apurada foi a Banda Hodi – virada para ritmos e danças tradicionais.


Texto: Leonel Matusse Jr. Foto: Arquivo

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Para incluir bandas emergentes no leque dos artistas de renome que o Festival Azgo vêm habituando ao público maputense, a Khuzula concebeu a batalha das bandas, que teve a sua primeira edição no ano passado. Onde a banda Hodi ganhou e inaugurou o festival passado.

Depois de em duas noites ter selecionado, no Ambient’”s bar, as quatro bandas que participaram da final, na noite da última sexta-feira. O júri, presidido por Chudy Mondlane, composto pelos experientes músicos Nelton Miranda (banda Nkuvo) e Pedro Pinto (340 ml), selecionaram o Açúcar Castanho Experiment, que já tinha concorrido no ano passado, mas sem sucesso e Queen Sheba.

Este ano cresceu o número de bandas que participam do festival, vindos da Batalha das Bandas2M. Nelton Miranda, após o evento, distribuía abraços e sorrisos para velhos amigos e conhecidos, antes de esclarecer que “levamos duas devido a boa prestação das bandas. Não dava para deixar um grupo tão bom de fora”.

A diferença de ritmos das bandas, conjugada a sua qualidade terá dificultado o júri. A banda CV que ficou no terceiro lugar aposta no zouk, Eva no Deserto envereda no rock, ocupou o quarto e as vencedoras Açúcar Castanho e Queen Sheba, no jazz e rap, respectivamente. Pesou na decisão final, explica Miranda, o respeito pelo tempo concedido a cada banda (15 minutos), composição e a maneira de estar. “São elementos que fazem diferença para um músico”, observa.

Chamou atenção a Banda Açúcar Castanho Experiment, composta por músicos experientes concorrendo com outros que não tem, talvez, metade dos seus anos de estrada. Entende Miranda que esta é a nossa realidade. “Penso que, infelizmente, o festival não se fixou a este tipo de política. Mas foram para aquilo que é a música moçambicana, temos profissionais concorrendo com amadores.”

Os festivais de música que acontecem em Maputo tendem a convidar somente artistas famosos, que são certeza de lotação, em relação a esse facto, Nelton Miranda comentou que o Azgo abarcar emergentes “é uma mais-valia para o festival, pois possibilita oferecer ao público novos sabores para além dos vícios já conhecidos”.

Entre os cantores nacionais que vão actuar no festival constam nomes distantes, sob ponto de vista de estilos e gerações. Temos no mesmo palco, artistas já confirmados, por exemplo, Denny Og e Xidiminguana. Já num canto isolado, distante do barulho da música do Gil e das conversas em tom alto, temperados com álcool, depois das apresentações, Miranda explica que, no seu ponto de vista esse cruzamento interjecional é positivo e demonstra que o Azgo “não elitiza a música. Há festivais que estão a tentar elitizar a música em Moçambique. Mr Bow não é elite, não vive na Julius Nyerere. Mas faz música que toca aos homens que vivem naquela avenida porque, alguns (dos que lá moram) nasceram na Mafalala e os seus pais nasceram nas entranhas deste país, então isto representa mudança”.

Um festival inclusivo

O festival teve várias fases: em 2011 esteve no Mafalala Libre, com algumas bandas; 2012 em algumas partes da cidade com Sara Tavares e Ponto de Equilíbrio, a partir de 2013 abraçou o conceito de dois palcos – Fany Mpfumo e Café Bar Gil Vicente – no mesmo espaço, Matchik Tchik. E desde o ano passado acontece no Campus da UEM.

Fazendo uma retrospectiva, Paulo Chibanga, director do Azgo, dá nota positiva a banda que venceu no ano passado, embora lamente que por ter tocado no princípio do festival, não teve a “audiência devida”, o que tem a ver com o “modus vivendi dos maputenses, habituados aos espetáculos noturnos”, justifica.

Para trazer outro conceito, programou-se actividades que começam as 10 da manhã, no sábado, notificou Paulo. “Queremos ver o moçambicano a se divertir na luz do dia”, afirmou, para na sequência concluir que o desejo é criar “uma maneira de estar diferente”.

Num Festival por onde já passou Oliver Mutukuzi, Maira Andrade, Salif Keita, Mingas, Isabel Novella e Ghorowane, para edição deste ano tem entre as figuras de cartaz o rapper Bander, autor dos sucessos urbanos “Artista” e “7 pitas”. Este jovem artista envereda pelo lado mais comercial do Hip Hop, o que está distante dos nomes comuns no Azgo. Paulo Chibanga, entre apertos de mão do público, elucida que a “preocupação do festival é a inclusão”. “Ano passado tivemos Liloca e este ano optamos por apontar as atenções para o Hip Hop”, com o intuito de “ver a juventude curtindo o que gosta”.

A estratégia da inclusão resulta da ambição da produção de ser “conhecido como um festival eclético”, que inclui do jazz ao pop.

Convidados

A edição deste ano vão actuar as recentes revelações nacionais: Deltino Guerreiro, Gran Mah, Afro Madjaha. Os já firmados Azagaia acompanhado da banda os Cortadores de Lenha, Timbila Muzimba e lendário Xidiminguana, entre outros.

Da diáspora foram convidados Lura (Cabo Verde), com a chegada confirmada para amanhã (dia 14), Paulo Flores (Angola), que chega na segunda (16), Zahara da vizinha Africa do Sul, entre outros.

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