Cristo no Rio de Janeiro, Samora em Maputo.

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Cristo Redentor está no ponto mais alto do Rio de Janeiro, imagino, nunca lá estive. O seu tamanho imponente permite-lhe ver de perto a beleza de Copacabana, o céu é longe para ver bem. De certeza também viu a garota de Ipanema que inspirou Tom Jobim para aquele clássico de bossa nova, filha do jazz dos Estados Unidos e do samba.
A sua posição permite-lhe também assistir aos crimes violentos que tiram a tranquilidade da cidade maravilhosa. Coitado do Cristo Redentor, não se pode mover para fazer milagres. Acho que caiu no feitiço daquele mar estendido. Sem se mover, calmo, silencioso, recebe visitas de gente de todo o planeta, menos a minha, mas um dia vou lá, de certeza.
Várias cidades brasileiras, incluindo o Rio de Janeiro, manifestam-se contra Dilma, porque figuras próximas de si estão envolvidas na roubação dos dinheiros do povo. A lógica não leva a crer que a moça esteja limpa nessa sujidade. O irónico é que por aquelas bandas sempre tocou essa música e ninguém se importou, creio que ela deve ter desafinado um pouco e aquela gente com ouvido apurado se incomodou.
Em Maputo não temos o Cristo Redentor, temos Samora Machel apreciando a baía da cidade. Faça sol, faça chuva, lá está ele em posição de continência. Está de costas para a sede do município, não sei porquê. Talvez para não ver. Aqui houve sensatez, não quiseram que ele visse a podridão que se instalou ali para se profissionalizar na inércia.
Samora Machel, coitado está longe da cidade, não vê a Guerra Popular, nem contempla aquela multiplicidade, aquele mosaico, que comunga do mesmo sofrimento. Isolaram Samora Machel, dali não se vê a circular, o Estádio do Zimpeto, nem mesmo o da Machava se vê. Mas de certeza vê as embarcações, que alguém ambicionou, com fé religiosa, lotadas de Atum, atracando no porto.
Às vezes invejo Samora Machel, está numa posição privilegiada, escuta boa música, do “Franco”, embora inale muito tabaco também. Será que tem um médico atento a isso? Ouvi dizer que os fumantes passivos sofrem mais. Mas pensando bem, não é assim tão privilegiado: de certeza, nalguns fins-de-semana fica indeciso entre o som do “Franco” e o do Gil Vicente. E as pessoas, egoístas que são, nem passam para lhe oferecer uns goles de cerveja!
 

Leonel Matusse Jr

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