Sim Mestre

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Reduzo-me a minha insignificância. Sou apenas uma migalha que almeja ser uma das fatias do pão. Como o vento navego e deixo-me levar por qualquer sopro, Mestre.

Mestre, reconheço, fiquei eufórico com as gotas de café que tomei na redacção que ainda nem pertenço. Embebedei-me com os títulos que ainda nem tenho, Mestre! Não tenho argumentos, meus tomates ainda estão verdes, nem para tchatinha servem.
Confesso, foi atrevido. Não foi arrogância, foi ingenuidade, Mestre.

Nem lagrimas tenho para demostrar a minha fraqueza, Mestre. Nem forças para ajoelhar tenho, Mestre.
Seus títulos esfaqueiam-me. Golpes sucessivos. Golpes agressivos. Rasgas-me a garganta. Esvermelhas os meus olhos com o seu curriculum, Mestre.

Eu ainda leio papeis amarfanhados recolhidos da magnitude de seus escritos. O senhor lê bibliotecas, és biblioteca com brasão. Suas insígnias nem cabem nas prateleiras da Brazão Mazula Mestre.

Culimaste Saberes e enterraste-me numa cova à medida da minha ignorância. Ouviste com atenção. Deixaste-me preparar a corda. Coloquei-a no meu pescoço. Sem capuz, enforcaste-me em praça pública Mestre. Aumentaste meus gaguejos. Eliminaste minha auto-estima. Reduziste-me a reles xicandarinha suja no meio de chaleiras top de gama.

Envergonhaste a mim e aos meus futuros colegas. Chamaste-nos de deturpadores de histórias. Reles marionetas que redigem manhocoronhocoro.
Sua barba branca, seus cabelos grisalhos, sua postura firme, sua gesticulação tiro-me as entranhas e deixou-as expostas.

Seu títulos fizeram-me ver os meus sapatos pouco engraxados e com uma sola gasta. Mestre! Suas palavras fizeram-me ver o mapa interior do meu sapato. Os jornais que coloquei como palmilhas para cobrir e confortar o mapa dos meus pés.
Mestre, seu cargo de ex-director do local onde futuramente estarei, colocou um liquido áspero entre a ponta superior esquerda das minhas pálpebras.

Senhor Mestre, sai dali destroçado. Formulei a pergunta bem elaborada que exigiste e arquivei no papel que usei para redigir essa crónica para ti Mestre.

Sim és Mestre. Sim és experiente. Sim, sim… sim és. Reduzo-me a ti, mas prometo ser mestre. Prometo ser mestre. Ainda vou mestrar em humildade. Ainda vou PHDizar em palavras suaves para futuramente ensinar migalhas como eu a serem mestres mais que o senhor.

Por: Helio Nguane

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