Iveth en(canta) pela mulher moçambicana

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Texto: Pretilerio Matsinhe

Os séculos passados foram de muita dor e consternação para as mulheres. Seus direitos eram violados sem dó nem piedade por homens machistas. A 8 de Março de 1857 o instinto feminino falou mais alto, reivindicaram os salários baixos, e foram mortas mais de 130 mulheres. Essa data ficou marcada para sempre na história do mundo.
Iveth, mulher advogada, dedicada à causa dos direitos humanos, de igualdade de género, não assistiu a passagem da data no silêncio.
Organizou um concerto, juntamente com a banda “As 7 Marias”, tendo como convidados, Miguel Xabindza, Jutty, Rage, S.Gee e Gabriela.
CONCERTO
Agendado  para as 19 horas, o espectáculo registou problemas técnicos  eu ditaram um atraso de quarenta minutos.
Com a música “ Sozinha”, Jutty fez a abertura do espectáculo. Depois  cantou  “vou te amar”,  dedicando ao namorado.
De seguida foi chamado ao palco, Rage, o incendiário,  levantou os jovens, fê-los abanar as mãos com suas rimas.
Hoje trouxe aqui temas do amor, o resgate dos valores que estão se perdendo na sociedade. As mulheres, por causa da pobreza, acabam seleccionando os seus parceiros, aqueles que têm bens materiais”,  disse o rapper.
Rage defendeu que  independência financeira é a peça chave na luta encabeçada pelas mulheres: “Só assim conseguirão resgatar sua sensibilidade até porque quem deve agir são elas. Que procurem recuperar a sua dignidade”.
Veio depois o rapper S.Gee, do grupo “Xitiko Ni Mbaula”. Conhecido por cantar em línguas tradicionais, S. Gee demonstrou seu estilo de rapper, lançou punch line e o público o seguiu. S.Gee só trouxe temas novos para o concerto e confessa ter se sentido inseguro com essa situação: “Fiquei meio receoso, levar um produto em primeira mão para um concerto não é fácil e estas músicas ainda nem estão gravadas”, afirmou.
E porque o público o recebeu de bom agrado, deu um impulso para seguir em frente, S.Gee disse que vai continuar com esse projecto novo na sua carreira a solo: “Isso não atrapalha no nosso grupo, lá temos uma política, quando alguém tem um projecto fora, pode o fazer sem problemas”.
Iveth e as 7 Marias
As 7 Marias e Iveth subiram ao palco. Os  espectadores já aguardavam com ansiedade. A advogada não perdeu tempo, deu voz do comando e começaram a actuar. Foram 4 temas interpretados ao vivo juntamente com as  7 Marias. Actuaram ainda Miguel Xabindza, músico, guitarrista e intérprete moçambicano. Ele cantou um tema individual, mas também fez um dueto com a estrela da noite, a Iveth. A música “4 estações”.
QUEM SÃO AS 7 MARIAS?
Uma banda formada ano passado, na Escola de Comunicação e Arte (ECA). Supervisionada pelo saxofonista e professor de música Timóteo Cuche, o agrupamento é composto por sete meninas: Alija Monteiro(saxofone), Crizalda Chirindza(guitarra), Raquel Albino(piano), Maria Alice(viola baixo), Matilde (bateria), Júlia Mário e Joyce de Carmen (violino) respectivamente.
Timóteo Cuche explica a origem e o atrevimento que há no nome da banda: “O número das meninas não quer dizer nada, talvez porque são 7 raparigas que formam este grupo, mas não quer dizer que influenciou na escolha do nome da banda”,diz.
O intuito de trazer o espírito crítico das mulheres constitui um dos objectivos da formação do grupo. Sendo primeiro concerto a ser realizado com uma artista, Cuche expressa seu sentimento: “A recepção do público foi positiva e estamos a dar pernas a esse projecto”.
A segunda parte do concerto trouxe outro dinamismo. Três músicas de Iveth foram interpretadas com as 7 Marias. “ O Sol brilha”, “Afro” e “Ámen” .
Os espectadores faziam coro, obedeciam aos comandos da Iveth, ela também demonstrava presença no palco, sinónimo de quem já tem um longo caminho.
Vezes sem conta se deixava levar pela dança, cantava sem perder fôlego, e deixava o espírito africano que há dentro dela manifestar-se. E no fim ela disse: “foi positivo o concerto, e queremos lutar mais pela igualdade de género e direitos da criança”.
7 MARIAS FELIZES PELA ACTUAÇÃO
Numa curta conversa, alguns membros da banda revelaram seu sentimento em relação ao concerto. Raquel Albino, pianista da banda, declara que o concerto foi bom: “só temos que agradecer ao público que se fez presente. Foi  além das nossas expectativas. As dificuldades nunca faltam, mas sentimos que a actuação foi boa”.
Joyce de Carmen, líder da banda, tem uma missão por cumprir: colocar ordem no seio das meninas. Depois da actuação, com um tom de fragilidade conta como tem sido fazer esse papel: “não é fácil ser líder das meninas. Fui escolhida e estou assumindo o cargo, mas confesso que é stressante, só que é o que tem que ser”.
Joyce diz não ser fácil manter o contacto e o entendimento no meio delas e conta como soluciona: “e preciso apertar um pouco, por exemplo, no caso dos ensaios. Se deixar não haverá trabalho”. Dirigente das meninas, diz que encararam de frente o público e que não se sentiram intimidadas com os aplausos: “é bom sentir o calor dos espectadores a vibrarem e isso nos faz bem”.
Júlia acrescenta: “nossos planos são de continuar a trabalhar mais, procurar fazer nossas próprias músicas. Por enquanto só trabalhamos músicas dos outros artistas”, diz, para depois acrescentar que sua família presta um apoio incondicional no seu trabalho.

 In Jornal Domingo 

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